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A praia é de quem?

março 5, 2013

O mês de março começou azedo para o Rio de Janeiro. Justamente no dia de seu aniversário, a cidade foi “presenteada” com uma greve de ônibus.  “Não precisa ficar, não vai ter bolo”. Todos foram pegos de surpresa, e o que se viu por todos os cantos foi um misto de desespero e indignação. Os rodoviários não só podem, como devem, fazer valer os seus direitos, mas esse não é o assunto do conto de hoje.

Aliás, hoje não tem conto, nem crônica, nem graça. Hoje tem desabafo, e vou explicar.

Por conta das obras da linha 4 do Metrô, as estações Cantagalo e General Osório estão fechadas. A partir da estação Siqueira Campos, o trajeto até a Gávea estava sendo feito pelo Metrô na Superfície , também conhecido com ônibus. Pois bem, some isso à greve, e o que temos? Não temos. O ônibus do Metrô também aderiu à greve. Quem costumava chegar com facilidade em Ipanema / Gávea / Leblon para trabalhar, ou simplesmente pegar uma praia, ficou a ver taxis lotados e coletivos piratas.

Mas isso, acreditem, ainda não foi o que me assustou.

Enquanto lia sobre os reflexos da greve pelos sites de notícias e redes sociais, vi gente comemorando o “isolamento” da região supracitada durante todo o fim de semana. Sim, tinha gente feliz em ver que a praia de Ipanema estava mais vazia. E também teve quem achasse ótimo ver que as ruas do Leblon estivessem com transeuntes mais “selecionados”. Em vários momentos, a chacota soava como uma espécie de “troco” pelos protestos contra a festinha privada na praia do Exército, sabe?

Como suburbano, nascido no bairro de Campo Grande e morador da Penha, posso afirmar: fico enojado. É pavoroso saber que o bairrismo ainda segue firme, forte e vistoso pelas rodinhas mais abastadas (em muitas delas, é só pose).  No Facebook, inclusive, fui surpreendid… Não, não foi surpresa alguma ler esse tipo de comentário na rede social mais feliz de todos os tempos. E para não fazer jus ao ditado “você é aquilo que come”, não rebati os absurdos, nem fiz comentários.  Cancelei. Deletei. Bloqueei.

A greve acabou hoje, e o povo não precisou se sacrificar mais do que já é habitual para chegar no trabalho. No fim de semana, eu torço para que faça muito sol. E torço para que todo mundo resolva sair de casa para desfrutar dessas paisagens, que encham as ruas desse finalzinho de Zona Sul. E que os separatistas e imbecis fiquem em casa, só reclamando… eu, pelo menos, não vou mais ler.

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3 Comentários leave one →
  1. março 5, 2013 11:57 am

    É um absurdo que ainda haja pessoas que determinam os limites da cidade… Uma corja de desocupados que não sabem o que é pensar no próximo! Desde quando compraram toda a Zona Sul???

  2. Fábio Pascoal permalink
    abril 18, 2013 8:00 am

    E se a greve durasse mais? E se a Creusa não conseguisse ir fazer a faxina na casa da madame de Copa? E se as flores da mansão de Ipanema morressem porque o seu Manel não conseguiu ir fazer a jardinagem? E se a Juju não conseguisse ir trabalhar de caixa na padaria chique do Leblon? Aí sim, os “separatistas” ficariam tristes.

  3. fevereiro 26, 2014 11:49 pm

    Sem os serviçais suburbanos, rs, ia dar merda!

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