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Presente Divino

dezembro 31, 2010
O conto abaixo foi escrito pela minha amiga Janaína Araújo, como continuação de “Futuro a Limpo”, que foi escrito por Rafael Carregal, em dezembro de 2009, dando sequencia ao conto original “Passado a limpo”, que foi publicado aqui no Suburbanismos em dezembro de 2008.

 

Mais um Réveillon e Rojane começou a fazer a retrospectiva de sua vida nesse último ano.

Desta vez não poderia anotar as lembranças em seu caderno velho, pois o mesmo tinha sumido no meio de quase tudo que ela tinha após a sua casa ser engolida pela avalanche de lixo no morro do Bumba. Sim, Rojane e Dinei saíram de Bonsucesso com a promessa da casa própria, mas o sonho durou pouco. Perderam amigos e toda a linha branca que Dinei tinha conseguido com tanto suor.

Depois de perder tudo Rojane e Dinei foram morar em um terreno emprestado de um tio de Dinei em São João de Meriti, parecia uma recompensa divina, pois Rojane nunca imaginou poder morar tão perto do metrô, afinal a Pavuna era logo ali.

Fez um curso no Senac para aprender a fazer unhas de acrigel e isso mudou a vida dos dois. Longe de ser da igreja ou coisa parecida, Rojane gostava mesmo era de uma boa festa com pagode e bebida, mas a única coisa que conseguia falar quando parava para pensar no que as unhas de acrigel tinham feito com a sua vida era: “Ô, Glória!”

Do terreno do tio foram para um próprio e em pouco tempo já tinham um patrimônio, coisa que Rojane sempre sonhou mas nunca imaginou acontecer..

Dinei virou supervisor de entregas e suas vidas não poderiam estar melhor. Tinham até uma TV de plasma na sala!

Esse Réveillon seria “Abençoado e ungido”, longe de ser da igreja, mas eram as únicas palavras capazes de descrever o tamanho da felicidade de Rojane, pois no dia 25/12, (logo no aniversário de jesus!!) nasceram os gêmeos, Rojnel e Dijanei.

O parto foi sofrido, Rojane levou 52 pontos, mas já foi para casa logo no dia seguinte porque não tinha vaga na enfermaria.

Para a passagem de ano pediu para Dinei comprar uma calcinha vermelha em um tamanho maior para usar e não cortar a tradição. Nunca havia pensado que poderia ser tão feliz, mesmo com os mamilos doendo tanto e com o períneo costurado.

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