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Paulo, a progressiva e a chuva

outubro 27, 2011

Chovia canivetes e Paulo não podia sair de casa, por causa da escova progressiva que fizera para o fim de semana. De que valia, então, tanto esforço para ficar mais belo se ninguém teria a chance de elogiar? Não, ele daria um jeito de fritar na balada, mesmo que tivesse de colocar uma sacola de supermercado enfiada na cabeça. Fez um belo enema, tomou banho de perfume, se vestiu para a batalha.

E lá foi ele, com o plástico amarrado na cabeça, para proteger as melenas. Pegou um táxi e pediu para seguir em direção a Copacabana. Morava no Méier, e isso custaria uma fortuna. A vontade de fumar era absurda, mas o orgulho de ser belo era maior ainda. Pegou o maço e atirou no meio da rua. Sentiu algo no baixo ventre e apavorou-se com uma possível regurgitação do enema. O coitado ainda não era mestra na arte, sempre deixava algum rastro…

Sem se deixar abater pelo incidente, saltou do táxi já sem o plástico na cabeça, porque ninguém precisava saber dos sacrifícios que se faz para estar sempre apresentável nas fotos. Marchou tal qual modelo internacional e mostrou a identidade para o door da boite, seu nome sempre estava na lista VIP. Mas não naquela noite.

Com um sorriso sem graça, Paulo abriu a carteira e constatou que havia gasto todo o seu dinheiro com o táxi, e que ali só havia um punhado de moedas que lhe valia o retorno para casa num busão sem ar condicionado. Mas ele precisava entrar na boite. Ainda mais com aquele cabelo lindo e brilhoso, que ofuscaria todas as outras amigas de balada.

Com todo o charme do mundo, Paulo chegou no pé do ouvido do segurança e lhe ofereceu uma boquete, que foi prontamente recusada. Ofereceu uma noite com muita sodomia, nada feito. Ofereceu um beijo na boca, filhos loiros e pudim de caramelo, mas o segurança deu três tapinhas em seu ombro, mostrando o ponto de ônibus.

Paulo voltou para casa, com os cabelos molhados e o orgulho ferido. Maldita chuva que insistiu em ficar sobre a cidade por semanas a fio. Mas ele jurou para si mesmo que nunca mais passaria por tal vergonha novamente. Ao chegar em casa, pegou a máquina que usava para aparar os pentelhos e ficou careca. Passou uma semana sem fazer a barba, só para desenhar um cavanhaque. O problema agora era conseguir segurar a pinta, mudar a voz de gato no cio e não fazer a coreografia perfeita do novo single da Lady Gaga.

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One Comment leave one →
  1. maio 31, 2013 12:55 pm

    Ri mt! Mt bom!

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