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Os Sete Pecados

novembro 1, 2016

Véspera de feriado e a Vila da Penha estava um agito só. Sentada no portão de casa com algumas vizinhas, depois de tomar cinco latinhas de Itaipava, Dona Odete começou a falar sobre o começo da humanidade:

“Se Deus realmente fosse responsável por tudo que dizem por aí, poderíamos dizer que ele é um cínico pervertido. Depois de criar Adão, ele teria percebido que era preciso algo mais para tornar aquele reality-show divino um pouco menos insosso. Numa crise de insanidade, ele teria arrancado uma de costelas de seu pimpolho para criar a mulher. Erro maiúsculo. Assim nascia Eva, com protuberâncias arredondadas na parte superior do tórax e uma cavidade úmida no meio das pernas.

Em tese, ele queria que o casalzinho se multiplicasse e povoasse todo o planeta. Mas os dois só queriam saber de jogar dominó, beber suquinho de acerola e matar coelhinhos com espetinhos de bambu [nem preciso dizer as crueldades que eles faziam com os bichinhos, néam?]. Daí, ele ainda inventou a tentação: uma forma de mostrar aos pombinhos que era preciso enfiar a varinha de carne dele no buraquinho molhadinho dela para acontecer a mágica da procriação. E como não podia deixar de ser, a tentação veio em forma de cobra: fálica, libidinosa, rija, suculenta e sinuosa.

Eva não se interessou, olhou com desdém e voltou correr nua pelos prados virgens, sem se importar com os espinhos que arranhavam seus mamilos e despenteavam seus cabelos levemente aloirados. Todos sabem que mulher, desde todo o sempre, é uma aporrinhação. Adão ficou de saco cheio e começou a puxar papo com a cobra. Falou sobre o clima, depois passou para o futebol e enfim descambou para a sacanagem. Não é de se espantar que o homem tenha sucumbido àquela tentadora criatura.

A cobra, muito astuta, disse a ele que tinha um plano para acabar com aquela palhaçada toda. Se Adão provasse que Eva era uma inútil, ele ficaria com o paraíso só para ele. Logicamente, o idiotinha caiu que nem um pato na armadilha. O plano, então, foi posto em prática. Adão chupou a cabecinha da cobra, esfregou-a por todo o rosto, colocou-a entre as nádegas e rebolou convulsivamente. Adão tinha um cu guloso, sedento e esbaforido! Engoliu tudinho sem derramar sequer uma lágrima, só para mostrar a Deus que não precisava de mulher nenhuma para se divertir. Foi nesse exato momento que Deus teve um insight.

A perfeição é chata, boring, insossa. Ele teria que criar subterfúgios para que a existência fosse mais agitada, mais dinâmica e desse mais Ibope. Adão e Eva estavam brigados e a perpetuação daquele experimento estava ameaçada. Tamanha sabotagem não podia continuar destruindo planos divinos. Então ele pensou: porque não criar a vergonha, a culpa e… o pecado? Com essa coleção de maldições, a vida na Terra deslancharia de vez. E assim foi feito.

Afastada de seu companheiro, Eva começou a sentir os efeitos nocivos da gravidade. Seus seios já não apontavam mais para os céus, e seus lábios vaginais pendiam até quase o meio das coxas, por conta da constante introdução de objetos roliços em sua boceta. Foi quando ela usou as folhas de parreira para se cobrir, que a vergonha surgiu. Mesmo que não tivessem mais ninguém ao seu redor para rir das pelancas muxibentas…

A culpa, todos nós conhecemos. Seus primeiros sinais foram quando Adão percebeu que tinha feito merda, ao ser pego de surpresa pela malditeza da cobra, que o deflorou sem dó nem piedade e depois partiu sem deixar o número do telefone. Aquela sensação estranha, meio que um aperto no esôfago, foi adotada pela Igreja Católica como o maior dogma de todos os tempos. Não existe um cristão que não se sinta culpado pela morte de Jesus a cada punheta, trepada ou espiadela pelo buraco da fechadura.

Com uma desculpa esfarrapada, Adão convenceu sua ex-companheira de que aquilo tudo foi só uma fase [ que os psiquiatras posteriormente chamariam de fase oral ]. Ela não acreditou na historinha, mas resolveu voltar ao paraíso. Anos se passaram e eles, finalmente, descobriram o divino jogo de encaixes que seus órgãos sexuais eram capazes de proporcionar. Deus só precisou intervir novamente quando os dois inventaram a sodomia. Os danadinhos não queriam saber de outra coisa, e passavam dias e dias naquela atividade infrutífera. Foi dada, então, a última cartada…

Para exterminar de vez com qualquer melindre daqueles protótipos de seres humanos, vieram os pecados. Uma espécie de punição por conta do atraso no cronograma cósmico. Não um. Nem dois. Nem três. Nem quatro. Nem cinco. Nem seis… Foram sete! Sete pecados para punir aqueles sodomitas pervertidos.

Só assim, na base a ignorância, é que Deus teria conseguido colocar os dois na linha. Ambos foram castigados por cada pecado que cometeram, sofreram as conseqüências por seus atos e foram agraciados com mais uma chance de espalhar vida pelo planeta azul. Como sabemos, o castigo não surtiu muito efeito nas gerações subseqüentes.”

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One Comment leave one →
  1. abril 16, 2017 12:20 pm

    Dona Odete só deixou de mencionar que a sodomia era um mecanismo secreto de Deus para o controle demográfico, mas que não deu muito certo, como vemos… Hahahahahahaha!

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