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Curiosidade

outubro 18, 2016

A pequena Laura gostava de brincar sozinha, não suportava a companhia de outras crianças. Sempre que podia, sentava-se no pomar do sítio e ficava lendo seus livros de contos-de-fadas, debaixo de uma amoreira, por horas a fio. Sempre que voltava para dentro de casa, sua mãe brigava por causa dos chinelos manchando o piso acarpetado.

Nos dias de chuva, uma forte melancolia apertava seu pequeno coração, pois era impossível sair para brincar no meio de toda aquela lama que se formava por baixo do gramado. Laura, então, debruçava-se na janela, apoiando os bracinhos numa almofadinha vermelha, esperando que o sol aparecesse.

Em dias como aquele, sentia saudades de sua avó, que tinha morrido há dois anos, e era sua melhor amiga. Era impressionante como ela conseguia lidar tão bem com pessoas de mais idade. Suas conversas eram tão cheias de emoção e assuntos lúdicos, que qualquer um sentia-se encantado ao conhecer aquela criança.

Certa noite, Laura achou ter visto um disco-voador, pousando bem atrás da colina que ficava ao fundo do sítio. Sem seus pais notarem, saiu escondida pela janela da cozinha, munida com uma lanterna e um cobertor azul. Estava muito escuro lá fora, e ventava forte.

Laura, tomada pela curiosidade, seguiu pelo matagal, procurando por algo desconhecido. Estava muito excitada com a idéia de ser a primeira menina do mundo a fazer contato com seres de outro planeta. Só se podia ouvir o ruído dos grilos e de algumas aves noturnas, além do chacoalhar dos galhos secos ao vento.

Curiosamente, a menina não sentia medo de nada. Sua mente estava tão afoita por novas descobertas, que sequer pensava nos perigos de estar sozinha no meio do mato, àquela hora. Depois de se arranhar em alguns arbustos, Laura viu uma chama reluzente, a poucos metros dali.
Mesmo com as pernas sangrando, seguia adiante, ignorando a dor.

Antes que seus olhinhos pudessem brilhar com a esplendorosa visão, tão esperada durante inúmeras noites em claro, Laura foi atingida por uma forte pancada na nuca, que a derrubou sobre um espesso monte de mato seco. Atordoada e sem poder se mover, a menina não conseguia ver quem havia desferido o golpe, mas pôde ouvir uma voz dizendo:

– “A curiosidade matou o gato, Laura. Na próxima vida, não se esqueça disso.”

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