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Ação e reação

junho 21, 2007

Enaide estava desnorteada. Fumou um maço de cigarros, deu algumas voltas no quarteirão e resolveu entrar na igreja para se confessar. Ajeitou a saia, puxando-a para baixo dos joelhos, prendeu o cabelo num coque e se ajoelhou.

– Meu perdoe, seu padre, mas eu pequei. É que ontem o Manel me bateu. E não foi uma tapa na cara, nem um soco na boca do estômago. Eu tomei foi uma vassourada na bunda, mesmo. Sem motivo nenhum, ele se revoltou e começou a me chamar de piranha imunda. No começo, eu até que gostei, achei excitante, pensei que a gente ia fazer alguma sacanagem bem pervertida na cama, você sabe… Engano meu, ele não queria meter em mim.

Na verdade, queria meter a porrada, mas eu não deixei. Saí correndo, que nem uma louca, quando ele me deu a terceira vassourada. O pior é que eu tinha acabado de passar henê nos cabelos, e a rua inteira me viu com o saco plástico de supermercado enfiado na cabeça. Foda-se todo mundo, quem manda no meu cu sou eu e ninguém tem nada com isso, sabe? Mas foi um horror…

Saí correndo até a casa da minha irmã, que não podia saber da briga, senão teria um infarte. Fiz a boba, disse que tava com saudades, e pedi um copo de Coca-cola, com gelo e limão. A coitada trouxe rapidinho, e ainda me ofereceu um pouco do biscoito champanhe. Só deus sabe o quanto eu fico louca quando como esse biscoitinho, molhado na Coca-cola… puta-que-me-pariu!

Aí, já tava bem tarde, voltei para casa, e o Manel tava deitado, sem camisa e com os pés sujos em cima da cama. Fui pro banheiro tirar o creme da cabeça, e liguei a televisão, para espairecer. Acabei dormindo no sofá, e só acordei de manhã cedo, com o filho-da-puta me pedindo para passar o café dele. Também não me fiz de rogada, mijei escondida num copo de geléia e misturei na água fervendo. Tomara que ele sinta o gosto do meu mijo, e se lembre que não sou saco de pancadas. Ai dele se me bater de novo. Nem imagina o que eu posso fazer com uma torta cremosa de chocolate… Enfim, foi isso! Eu tenho que fazer alguma penitência, seu padre?

Depois de rezar cinco terços, ela foi embora pra casa, leve como uma pluma. Ao que parece, nunca foi tão fácil pagar por um pecado e se livrar da culpa. Mas só por precaução, passou no mercado e comprou uma massa para bolo de chocolate. Nunca se sabe…

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