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O bebê de Daniela

março 29, 2011

Abril de 2005, em São Paulo. Daniela estava absorvendo um pouco de cultura, no glamour de sua chaise-longue com forro em pele de raposa, quando sentiu um leve desconforto abdominal. Pensou em ligar para seu médico, mas lembrou ter comido seis burritos, que Ronaldo trouxe diretamente do México, logo no comecinho da tarde. Como toda mulher moderna faria, ela abstraiu a sensação de ardência que lhe escorria por entre as pernas.

Ao levantar-se, para beber um copo de Perrier, percebeu uma discreta mancha de sangue na belíssima pele de raposa. Para explicar aquele incidente, só podia haver duas explicações plausíveis: o bicho ainda estava vivo, ou ela estaria menstruando. Como ninguém desenvolveu a técnica de embalsamar animais vivos, só restava a segunda possibilidade. Isto é, restaria se Daniela não estivesse grávida de dois meses.

A modelo levou quase meia hora para chegar a essa conclusão e, apavorada, ligou para o homem mais importante de sua vida: o advogado. “Tô abortando, caralha?! Deve ser macumba da Millene!“, gritava ao telefone, enquanto esfregava uma toalha morna no xereca, para estancar o sangramento. Depois de alguns minutos, Daniela finalmente foi acalmada por seu conselheiro legal.

Em poucos instantes, estava no hospital mais glamouroso de São Paulo, onde os médicos confirmaram suas suspeitas. O bebê estava sendo expelido, completamente intacto. “O meu filho vai sobreviver, com esse tamanho? Vou poder criar ele? É preto ou branco?“, perguntava repetidamente, louca de seu cu. “Eu sou rica, hein? Eu acabo com a vida de vocês se essa criança morrer. Eu já expulsei gente da minha festa por muito menos que isso!

Alheio a tudo isso, Ronaldo jogava uma pelada, com seus colegas, em algum lugar da Europa. “É melhor que ele não saiba de nada, até conseguirmos uma estratégia inteligente e eficaz, Daniela. Talvez possamos implantar um feto em seu útero. É arriscado, mas money changes everything.“, aconselhava o advogado.

Ainda sob o efeito da anestesia, Daniela teve uma idéia: “Vamos manter o bebê num frasco, que nem aqueles brinquedinhos de aquaplay. O Ronaldo nem vai notar, não para em casa mesmo…” O advogado, coçando o cavanhaque com a mão esquerda, numa pose clássica de vilão, consentiu com a idéia. “Se ele resolver te largar, essa criança pode garantir uma pensão milionária, mocinha. Vamos arrumar um pote de maionese, e um pouco de formol.

Ao saber do nascimento prematuro de seu décimo filho [contando com os bastardos], Ronaldo voltou para o Brasil, deixando seu treinador a falar sozinho. Daniela o esperava, sentada ao lado do berço, onde jazia o pote de maionese com meio litro de éter e uma massa disforme de carne dentro. “Veja, Ronaldo, nosso filho é a sua cara. Olha a boquinha dele, não é linda?

E todos viveram felizes, até que a empregada venezuelana deixou “a criança” cair, escadaria abaixo, achando que se tratava de um pote de nabo em conserva. Daniela e Ronaldo mandaram prende-la por assassinato doloso, e logo em seguida comunicaram a morte do herdeiro, no programa Domingão do Faustão.

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