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Imaginária?

dezembro 2, 2011

Roberta era uma mulher extremamente tarada. Onde quer que estivesse, só precisava fechar os olhos para pensar em putaria. Em seus devaneios, passavam homens de todas as cores, tamanhos e sotaques, assim como rolas e pintos sem dono. Aquela morena de seios pequenos tinha uma facilidade incrível para gozar em lugares públicos, onde os cheiros mais diversos serviam de combustível para seus múltiplos orgasmos.

Certo dia, acordou com um fogo no rabo tão intenso, que nem banho de mar apagaria sua volúpia. Saiu de casa vestida para fechar negócio, sem calcinha, livre para voar. Com a mão apoiada na cintura, desceu o morro rebolando mais que passista da Portela. E como era de se esperar, chamava atenção de todos: homens, mulheres, marmanjos, crianças e até cachorros. Todo mundo babava por Roberta, até o pipoqueiro de moral duvidosa.

Mas engana-se quem acha que ela fazia isso para arrumar uma transa. Apesar de sua fama, Roberta também era absurdamente medrosa. Tinha tanto pavor de encarar a realidade rotunda e pulsante dentro de suas vergonhas, que era praticamente uma virgem. Só tivera algo mais íntimo com o primeiro e único namorado. Mas o infeliz nasceu com a ferramenta de um verdadeiro jegue, e não sabia usa-la:  isso traumatizou a moça.

A partir daí, Roberta, tomou gosto pelo erotismo solitário. Gozava na fila do banco, no metrô, no ônibus lotado e até no açougue. Tudo muito bom, tudo bem prazeroso, até o dia em que se apaixonou por Leozinho, um rapaz moreno, alto e musculoso, que conhecera no Trem do Samba. Papo pra cá, chamego pra lá, ela a jogou contra o muro e fisgou seu coração. Roberta estava literalmente de quatro, num motel de Madureira, deu-se a chocante revelação.
Leozinho fazia jus ao diminutivo, e todo o trabalho transcorreu sem que a morena sequer sentisse cócegas nos baixos fuditórios. Decepção era uma das palavras que estampavam a testa de Roberta, enquanto ela tomava uma ducha para ir embora. Mas apesar da mixaria, o rapaz era bem educado, e demonstrava verdadeiro afeto pela moça. Sem coragem de dispensa-lo, a morena foi levando o namoro adiante, até não ter mais volta.

Casaram-se, tiveram filhos, e anos depois, começaram a frequentar as missas com mais frequência. Aos poucos, Roberta foi se acostumando com aquela realidade,  acabou castrada. Já nem se lembrava mais do sabor de um orgasmo, e suas fantasias resumiram-se a colecionar cupons de desconto para o supermercado. A vida seguiu, e a morena embarangou. Já não causava mais impressão por onde passava, e até a depilação fora abolida.

Certa noite, quando voltava sozinha da igreja, ela avistou um mendigo se masturbando sob a marquise da padaria. Apesar de sujo e fedido, aquele homem tinha algo que a encantava. Algo que a remeteu àquelas tardes úmidas da juventude. Sem refletir, Roberta despiu-se e montou no bastardo. Foi o orgasmo mais sincero e intenso de sua vida. Recomposta, voltou para casa com a alma leve. Não sentiu um pingo de culpa, pois finalmente encontrara o equilíbrio de que precisava para seguir adiante.

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