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Dia de Faxina

abril 13, 2012

Organizei todos os projetos, confirmei as reuniões do dia seguinte e, como já não tinha mais nada pendente,  saí mais cedo da empresa para almoçar com a Dona Graça, que trabalha lá em casa há um bom tempo, e praticamente faz parte da família. Sua comida é algo indescritível, e qualquer desculpa é válida para apreciá-la ainda quentinha, recém saída do fogo .

Cheguei com uma garrafinha de Coca-Cola, e antes que pudesse abrir a boca, Dona Graça  alertou: “Tá sabendo que isso dá câncer, né, Seu Felipe?”  Olhei para a garrafa, sorrindo,  e respondi que “Se desse mesmo, eu já teria morrido”.  Indignada, ela jogou o pano de prato no ombro e me desafiou: “Mata aos poucos! Principalmente se estiver sem gás.”

De fato, o finzinho da garrafa já não estava lá essas coisas, mas como não podia perder a piada, retornei o desafio: “Então vou beber bem rápido, que não sobra nada pra ficar sem gás!” Mais rápida que um puma, Dona Graça arrancou a garrafa de minha mão e correu para a cozinha, resmungando algo, bem baixinho. Eu caí na gargalhada, e desviei para deixar a mochila no sofá.

Já sentindo o aroma de bife acebolado se espalhando pela casa, voltei para a copa e me servi. Ao abrir a geladeira, só guaraná natural e limonada. Achei estranho, pois tinha certeza de ter deixado uma Coca gelando ontem à noite. Dona Graça continuava resmungando, então achei melhor comer antes de perguntar sobre o paradeiro do meu refrigerante.

Já estava na última garfada quando a vi passando em direção ao banheiro, com uma esponja e a garrafa de Coca-cola pela metade. Intrigado, dei um tempo e fui atrás daquela senhorinha abusada. Abri a porta do banheiro bem devagarinho, e vi que Dona Graça estava de quatro, esfregando o piso: “Quer que eu limpe o mármore com Sapóleo? Eu é que não vou passar duas horas esfregando essa porcaria!”

“Então tudo não passava de uma pirraça, por eu ter esquecido de comprar seus produtos de limpeza, Dona Graça?” Ela se levantou num pulo, e meio que gaguejando, tentou se explicar: “Nada disso! Só estou cuidando para que você não pegue uma doença. E todo mundo sabe que é melhor usar Coca-cola pra limpar os mármores! Fica tudo branquinho, e num piscar de olhos! ”

Não tinha como passar mais do dois minutos aborrecido com aquela figura, então encerrei o assunto. Dali em diante, passei a comprar Coca-cola para bebermos, e também para limpar os mármores.  Dona Graça só faltava pular de alegria, e até brindou, quando eu disse que “Se morrermos por conta disso, pelo menos foi uma vida gostosa, gelada e cheia de gás!”

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