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Frustradíssima

maio 13, 2014

Quando se viu cercada pela família, Jordenny deu gritinhos de alegria. Era seu primeiro aniversário, e ela estava adorando toda aquela festa. Tinha cachorro-quente, algodão doce, pizza, pratinho do estrogonofe com bata palha e pasmem, nada de Dolly, só Coca-cola.

A rua Maragogi estava um furdunço, e até penetra tinha no quintal. Na hora dos parabéns, foi aquela confusão: “Não pode pegar o enfeite! Não pode pegar bala ainda! Não pode empurrar o coleguinha!” Muito grito, muito assobio, muita gente cantando ao mesmo tempo uma parte diferente da música.

Jordenny apagou a velinha e bateu palmas, sorrindo efusivamente. Quem não gostou nada foi Saruelly, sua irmã mais velha. A menina tinha quatro anos e achou um saco aquela bagunça. Não deu um sorriso sequer. Deixou todo mundo se refestelar, emburrada, e esperou. Quando todos foram para o lado de fora, estourar o balão de doces, ela voltou para mesa do bolo.

Arrumou como pôde o que sobrou, e cantou parabéns sozinha. Sem assobio, sem gritaria, sem Xuxa. Soprou a velinha já apagada, mas lá fundo tinha a esperança de que uma daquelas faíscas mágicas a acenderia novamente. Ledo engano. Nem fumaça saiu do pavio já negro e contorcido.

Ela suspirou e seus ombrinhos caíram.

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