Skip to content

março 16, 2009

Como não tinha muito o que fazer, Merinha acordava às 5 da manhã para lavar a calçada com mangueira e desinfetante. Depois, comprava duas dúzias de pãezinhos da segunda fornada, que a segundo a própria eram mais crocantes, para distribuir em sua vila. Mais tarde, lá pelas oito, ela ia para o ponto final do ônibus Piabetá-Penha organizar a fila, pois as pessoas cismavam em ficar atravancando a passagem de quem queria pegar a condução para Caxias. Antes do almoço, já cansada e com as têmporas suadas, ajudava sua prima a limpar o quintal, já que os cachorros espalhavam merda por todos os cantos. À tardinha, ela lavava e estendia as roupas de Dona Cosmerinda, que fora atropelada por um bonde e estava impossibilitada de andar. E quando o sol estava se pondo, ela voltava para o ponto de ônibus, para ajudar novamente a organizar a turba. Ao final do dia, ela sentia terríveis dores nas pernas, e sempre que ia ao médico, não sabia explicar o porquê de tanto cansaço. Antes de dormir, tomava um chá de camomila para aliviar a tensão e ter bons sonhos. Esta era sua vida, até a noite em que se engasgou comendo tremoços em conserva, enquanto assistia ao programa da Hebe. Há quem diga que foi uma morte triste, mas ela já estava habituada à solidão.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: