Skip to content

Sozinha no escuro

abril 9, 2010

A filha do maestro chegou em casa com os pés encarcados pela chuva. Tão logo tirou os sapatos, colocou para tocar um cd de funk e rodopiou pela sala. Sentia saudades dos tempos em que morava no subúrbio, onde as alegrias eram mais intensas, e as tristezas agridoces. Ela aproveitava aqueles momentos sozinha para relembrar o baile na favela, a cerveja gelada no copinho de plástico e o latido dos cachorros.

Seu pai ainda levaria duas horas para chegar em casa, e ela dançou com as luzes apagadas. Foi até o chão, com as mãos no joelho. O copo de vinho pedia para ser completo, depois de esvaziar duas vezes. A filha do maestro estava de pilequinho, e sentia uma felicidade abstrata correndo pelo seu corpo. Se pudesse, viveria aqueles instantes para sempre – só porque não tinha medo algum da solidão.

Anúncios
8 Comentários leave one →
  1. abril 11, 2010 9:46 pm

    Realmente…se é feliz com tão pouco, pena que muitos complicam.

  2. cinebuteco permalink
    abril 12, 2010 12:37 pm

    Já dizia Matrix: A ignorância é uma benção.

  3. abril 12, 2010 6:19 pm

    tão bom curtir esses momentos. adoro!

    • abril 13, 2010 5:29 pm

      A filha do maestro era da seguinte filosofia: “Lying is the most fun a girl can have without taking her clothes off… but it’s better if you do”.

  4. abril 13, 2010 10:34 am

    Adorei!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: