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Eu sou o tatu nervoso

maio 13, 2010

Há algum tempo, Alzira vinha se incomodando com uma pulga atrás da orelha. E todo dia, a praga afirmava veemente que Carlinhos, seu marido, a estava traindo. Ela vasculhou suas coisas, a conta de telefone, papeizinhos nos bolsos e até agenda do celular. Não encontrou nada e se resignou, até o dia em que viu na Ana Maria Braga um jeito infalível de pegar o gatuno no pulo.

Naquela noite, a esposa enciumada aproveitou que seu companheiro estava explodindo de dor de cabeça e deu duas cápsulas de advil para aliviar o mal estar. Carlinhos capotou em menos de três tempos, e Alzira colocou em prática o que aprendeu. No que ele começou a roncar, a danada se acocorou na cama e aproximou-se do ouvido dele. Com a voz sussurrada, ela começou uma sabatina.

– Você está me traindo? Tem alguma amante? Ela te ama? Porque eu não sou bastante para você? O que mais quer de mim? Nosso sexo não é bom? Você pensa em mim quando se masturba no banheiro?

Carlinhos começou a revirar na cama, incomodado. Mas Alzira insistiu ainda mais, repetindo as mesmas coisas, sem parar em seu ouvido.  Talvez tenha sido por acaso, ou o remédio que acabou acionando algum gatilho do inconsciente… mas como ele era chegado num deboche, começou a responde-la com respostas pra lá de absurdas.

– Eu sou o Tatu! E eu entro em tudo que é buraco! Eu sou o tatu nervoso! E se encontro um buraco quentinho é lá dentro que eu me meto mesmo!

Alzira fez uma cara de nojo e saiu puta do quarto. Dormiu sozinha no sofá, para não precisar nem olhar na cara do safado na manhã seguinte. Se ainda havia alguma dúvida de que ele tinha um caso, agora estava confirmado. Magoada, ela juntou suas coisas e sumiu sem deixar rastro. Carlinhos acordou meio atordoado, com uma sensação estranha de que havia feito merda.

– Alzira? Cadê você, mulher?

Ele só foi descobrir o que aconteceu cinco meses depois, ao receber um telefonema desesperado de sua mãe. Dona Judite ligou para dizer que Alzira estava na tv, dando um depoimento para Ana Maria Braga.  Ela ficou com fama da chifruda, e o tal “tatu” passou a ser disputado a tapa pela mulherada do bairro. Pode até ser que Carlinhos não a tenha traído realmente, mas pra que desmentir, se estava tão bom daquele jeito?

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7 Comentários leave one →
  1. maio 13, 2010 11:15 pm

    Quem procura acha!
    Muito bom o seu texto, parabéns.
    Abraço

  2. cinebuteco permalink
    maio 14, 2010 12:40 pm

    A infeliz procurou sarna pra se coçar, tá aí… se fudeu! Certo o Carlinhos…

  3. maio 18, 2010 9:05 am

    Não sei se o Carlinhos é santo não, viu? Hehehe…
    E vou te falar, se a Alzira tivesse ido na Márcia ou na Cristina Rocha, ih, aí o problema tinha dado uns cinco programas, kkkkkkk!

    • maio 18, 2010 9:28 am

      O problema é que para dar chilique no programa da Marcia ou da Cristina Rocha, você precisa de um caso realmente chocante, tipo: “mãe thessaliza* o próprio filho durante batizado de pinscher hemofilico”.

      * Thessalizar: v.t.i. // Fazer um quéti. Dar uma chupadinha.

  4. maio 23, 2010 6:30 pm

    KKKKKKK, thessalizar foi ótimo.

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