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Um email vazado

janeiro 20, 2012

( Conto escrito em maio de 2005, nunca antes publicado )

De: daniela.c@aol.com
Para: jpdiniz@veloxmail.com.br

Assunto: Agora, fudeu!

Mensagem:
Estou de saco cheio, João Paulo. Aquela palhaçada de casamento foi longe demais, sabe? Se eu queria mesmo era ficar com você, não deveria ter me sujeitado a ir para a cama com aquele palerma horroroso. Só ele mesmo para acreditar que eu sentia algum tesão. Toda vez que ele pedia para eu chupar aquela piquinha com fimose, eu sentia nojo de mim mesma. Na verdade, eu me sentia como uma prostituta. Mas sabe como é, tudo tem seu preço. Meu cachê aumentou em cerca de quinhentos por cento desde que começamos a namorar, eu não podia perder a chance de tornar esse índice ainda maior. Era tudo ou nada, eu tinha que me sujeitar a esse sacrifício.

No começo até que estava fácil, era só tomar uma droga qualquer e trepar com ele, que no dia seguinte eu nem me lembrava do que tínhamos feito. E como aquele corno treina mais do que fica em casa, era tranqüilo para mim. O foda é que, num descuido meu, o cara meteu sem camisinha e gozou dentro. Fiquei grávida, e sem saber o que pensar. Concordo que ter um filho de jogador de futebol e se divorciar logo depois é como ganhar na loteria, só que o prêmio viria em parcelas mensais, e ainda teria a pestinha me atrapalhando a vida. Não pensei duas vezes e liguei para minha amiga, aquela da Globo, e perguntei o que ela tinha tomado para exterminar com o verminho. Foi tiro e queda, no dia seguinte eu mijei sangue e estava tudo resolvido.

O foda é que o corno descobriu tudo, inclusive o nosso affair, e resolveu me botar para fora de casa. Acredita que ele teve a audácia de insinuar que o bebê era seu? Fiquei caladinha, só esperando ele acabar de dar escândalo para eu começar o meu. Nem falei muito, na verdade. Só destruí tudo que vi pela frente, e deixei aquele filho-da-puta sem nada. Já que eu não teria direito a carregar nada, me senti no direito de não deixar nada para aquele mongolóide.

Aí, estou eu aqui, linda e magra, assistindo minha novela sentada no sofá, quando vejo o meu nome sendo repetido a cada cinco segundos no Tv Fama. Os demônios já sabem de todos os detalhes da separação, das cláusulas do contrato pré-nupcial e do nosso namorico, em Veneza. Mas deixa estar, já chamei Ivete e Maria da Graça para virem aqui fazer um trabalho bem pesado praquela Luiza Mel. O Clô disse que pode dar uma ajudinha também, se for preciso.

Bom, eu cansei de digitar, meu querido. Tenho que pensar numa boa forma de despistar os repórteres para nos encontrarmos novamente. Estou precisando sentir um homem de verdade, pulsando dentro de mim. Só não quero saber de viajar de helicóptero, por que nesse assunto você é pé frio. Fique com Deus, um beijo.
Da sua eterna Dani.

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