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Mariana

maio 2, 2012

Mariana estava se sentindo desolada com aquela vidinha meia-boca que levava. Casa-trabalho-faculdade. Todo dia a mesma coisa. Seus dias já não eram mais tão coloridos, desde que o namorado mudou-se para Macaé. Estava tudo esmaecido, sem graça alguma. Ela precisava de um agito, esbarrar um monte de gente, sentir o cheiro de calor humano…

Quinze minutos depois, a moça estava fervendo numa danceteria do Centro da cidade. Suas amigas de faculdade sempre iam para lá, mas Mariana nunca estava com saco. Toda sexta-feira, qualquer mulher podia entrar gratuitamente e beber à vontade. Era exatamente o que ela precisava: ficar sozinha no meio da bagunça com uma taça de martini na mão, fazendo charme e torcendo para levar uma cantada.

Um jovem bem afeiçoado se aproximou de Mariana, lá pelas tantas, com um papo furado mais batido que bife em casa de pobre. Ela não curtia esse tipo de abordagem, mas a fase de abstinência total estava mudando um pouco de seus conceitos. A moça pensou e repensou. Já de pilequinho, calculou as probabilidades de seu namorado descobrir qualquer pequeno deslize e chegou a uma conclusão:

– Me leva pro motel agora, filho da puta. Quero ser enrabada a noite toda!

Seu pedido foi tomado como ordem. Em poucos minutos estavam subindo para uma suíte na rua Gomes Freire.  Mariana sequer perguntou o nome do rapaz, isso pouco importava. O que ela queria eram orgasmos múltiplos, queria ouvir palavrões, queria levar tapa na cara e ser chamada de puta.

Mariana conseguiu o que estava precisando. Foi penetrada pelo garanhão durante todo o tempo que passaram naquele quarto de motel, e no fim das contas, havia perdido a consciência de seus atos. Foi sodomizada por um homem que nunca mais veria novamente, e ainda assim se sentia realizada. Uma nova realidade se mostrava para ela, que há tempos ansiava por alguma emoção em sua vida.

Na semana seguinte ela terminou o namoro, saiu de casa e largou a faculdade. Sem destino, pegou carona com inúmeros caminhoneiros, e sem nenhuma vergonha na cara, retribuiu os favores com prolongadas transas nas boléias. Há quem diga que ela desapareceu na fronteira com o Paraquai, mas suas gargalhadas ainda podem ser ouvidas em um prostíbulo de Caxias do Sul, onde ela deixou escrito, em um dos reservados do banheiro feminino:

A vida é muito mais do que uma coleção de momentos. Faça valer cada segundo de sua insignificante existência, pois no inferno não existe Serviço de Atendimento ao Cliente!

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