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A angústia que vem antes

maio 30, 2015

Sempre que ficava nervosa, Gilcilene recorria ao potinho onde guardava sementes de girassol. Costume esse que herdou do pai, aliás. Mastiga-las, as sementes, era uma terapia, servia como válvula de escape para seus problemas mais urgentes. A sensação dos dentes triturando aquela massa fibrosa a excitava, de um jeito absurdamente transcendental. Aos poucos, o nervoso ia passando e ela voltava a si, toda trabalhada na lucidez. Não é sempre que se pode comer cachorro-quente numa dessas carrocinhas de rua sem passar mal depois. E a partir de então, ela pensou duas vezes antes de pensar demais. Jogou a calcinha no lixo e voltou para seu quarto, onde o namorado já esperava, aflito.

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