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Jantar para dois

outubro 16, 2007

Foi tudo muito rápido, simples e prazeroso. Liguei o forno, coloquei as empadinhas para assar, e dei uma ajeitada no cabelo. Como já tinha tomado banho, achei melhor não arriscar e me vesti, logo de uma vez. Se ele chegasse antes da hora marcada, já me encontraria pronta, e isso sempre causa uma boa impressão. Acendi algumas velas aromatizantes, pus um cd de jazz para tocar e me sentei, confortavelmente, no sofá. Assisti a novela das sete, o jornal, uma outra novela e quando despertei, já não tinha mais nada na tv. Dormi ali, esparramada, esperando aquele idiota chegar. Quando estava prestes a jogar os aperitivos no lixo, inebriada de sono, ele tocou a campainha. Kleber estava bêbado, sujo e havia esquecido o nosso aniversário de noivado. Mal conseguia desculpar-se, de tanto que a língua enrolava. Ao questionar por onde ele havia andado, notei uma marca de batom vermelho em seu colarinho. Tanto que nem hesitei: com a faca de pão, abri um rombo em seu peito e arranquei todos os órgãos vitais. Com um ódio quase visceral, segurei-o pelos cabelos e perguntei:

– Você tem noção de quantas horas eu tenho que ficar debruçada no tanque, esfregando uma mancha dessas pra porra da camisa ficar impecável novamente, seu maldito?

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