Pocket show
Quando Tathyza recebeu a notícia de que faria o papel da princesinha na peça do colégio, ficou toda cheia de si! Escolheu, de pronto, o vestido mais bufante, pois queria estar perfeita. Leu o roteiro com atenção, e fez até algumas anotações. Chegou em casa exibindo um enorme sorriso, e pediu a mãe que lhe fizesse uma chapinha nos cabelos. Tinha ensaio no dia seguinte, e assim já estaria incorporando a personagem. Enquanto todo o aparato era ligado, a menina desceu até o pátio da favela, para se provomer. Declamava, com orgulho, alguns trechos da história, gesticulando efusivamente para os vizinhos. Estava tão concentrada em seu próprio espetáculo, que nem ouviu o chamado da mãe, há cerca de dez minutos, avisando que a chapinha estava esquentando. Depois de tanto insistir, a dona de casa acabou perdendo a paciência, e berrou janela afora:
– A chapa tá queeeeeeeeeente, Tathyza!!
E o povo todo correu, embrenhando-se pelos becos, aos trancos e barrancos. Acharam que a polícia estava invadindo a favela e, logicamente, trataram de se esconder. Teve gente entrando em casinha de cachorro, botequim e até bueiro. A pequena Tathyza, estática, levou um puxão de orelha. Como castigo, faria a peça com o cabelo pixaim, nada de chapinha. Mas, no fundo, nem ligou. Sua premiére já havia sido um estouro. Literalmente.