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O amor, em si

novembro 28, 2007

Assim que terminou de ler a carta, que fora deixada no capacho, Verônica descobriu-se profundamente apaixonada. Nunca recebera uma declaração de amor antes, tão delicada, tão verdadeira. Aquelas palavras, escritas à mão com caneta de tinta vermelha, fizeram-na marejar os olhos e suspirar. Sentiu-se, naquele momento, a garota mais linda da rua.

Ao abrir as cortinas, projetou quase metade do corpo para fora da janela e sorriu para as amendoeiras. Soltou o elástico que lhe prendia os cabelos em rabo-de-cavalo, deixando que os cachos ganhassem vida própria. Estava tão esfuziante que dançou com o canto dos passarinhos, sozinha.

Leu, então, mais uma vez, aquela carta. Seu coração batia em ritmos alternados, quase que em escala exponencial. Com olhos ágeis deslizando por sobre as linhas, Verônica podia sentir a pressão usada para grafar cada palavra. Seus dedos acariciavam o papel, que exalava um cheiro adocicado. Parecia ter sido especialmente perfumado para ela.

Num dado momento, depois de tanto admirar aquelas páginas, deu-se conta de um pequeno detalhe. Algo que, no ápice do entusiasmo, passara percebido. Não havia remetente, nem assinatura. Verônica estava apaixonada por um alguém que sequer sabia o nome. Amava, sim, a simples idéia de ter um admirador. E isso, por enquanto, era o suficiente.

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