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Da solidão

dezembro 19, 2007

Ao terminar de escrever seus mais sinceros desejos de felicidades num dos tantos cartões que enviaria naquele Natal, a triste moça esvaiu-se em lágrimas. Apoiando as mãos na cabeça, deixou o pranto desatar o nó que havia em sua garganta. O choro foi ganhando força, ao passo que ela surpreendia-se com a intensidade dos próprios soluços. Por mais que fosse uma pessoa de coração puro, prestativa e cheia de boas intenções, ela não tinha amigos. Todos os destinatários eram, tão somente, meros conhecidos, colegas de trabalho e parentes distantes. Sentia-se insuportavelmente sozinha, apesar de viver rodeada de pessoas. Meia hora se passou até que o peito já não estivesse tão apertado. Com os olhos azuis ainda marejados, ela levantou-se, foi até a cozinha e abriu uma lata de biscoitos. Encheu um copo com suco de laranja, ligou o televisor e pôs um filme para rodar. Lá pelas tantas, descobriu que não precisava de muitas coisas para ser uma pessoa realmente feliz. Só lhe faltava alguns selos para colocar os envelopes nos correios e um sapato de salto alto, para usar na festa de confraternização.

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