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Festividades desastrosas

dezembro 24, 2007

O maior dos absurdos foi a postura leniente da família para o problema de Natashe. Na primeira vez, todos se divertiram ao ver que a menina, com apenas quatro anos de idade, esfregava furiosamente a própria vagina no braço da poltrona a cada vez que um Papai Noel aparecia na tv.

O tempo foi passando e as crises tornaram-se ainda mais intensas. Apenas os parentes mais abobalhados achavam graça naquela cena, que repetia-se a cada Natal. Aos treze anos, seus pais pensaram que a menstruação iria dar cabo daquela mania, mas não. Natashe só aquietava o facho quando caía esbaforida no chão.

Com dezoito anos, enquanto passeava pelos corredores de um shopping em Del Castilho, a jovem atirou-se sobre um homem fantasiado do “bom velhinho”, e só parou de roçar o seu sexo contra o corrimão da escada rolante quando os seguranças conseguiram arrasta-la para fora. Naquele mês, ela não precisou de depilação.

Ao ser finalmente levada a um psiquiatra, por aquele que viria a ser seu futuro marido, ela soube que os ataques nunca cessariam, a não ser que evitasse qualquer contato visual com o infame ícone do consumismo desenfreado na sociedade capitalista. Seu distúrbio estava, misteriosamente, ligado a questões de ordem socio-ecônomica, e por isso não havia tratamento eficaz.

Hoje, já balzaquiana, Natashe foi presa por atentado violento ao pudor. Desavisada, ela entrou numa lojinha de 1,99 e, tomada por um surto compulsivo, bolinou-se em todos os transeuntes, até explodir em orgasmos múltiplos e histéricos. Cinco pessoas prestaram queixa na delegacia contra ela, tudo porque um Papai Noel mecânico balançava a pança e sacudia o saco repleto de presentes nos instantes que precederam o ataque.

Natashe está em coma induzido, mas o médicos confirmaram que, até o reveillon, poderá receber alta. Eles preferem mantê-la assim até que não haja mais riscos de restar algum Papai Noel pela vizinhança. Desta forma, a mulher poderá responder por seus desvios de comportamento, e escolher se irá ou não internar-se numa clínica para pessoas mentalmente desequilibradas.

Enquanto isso, sua filha mais nova, Margarethe, começa a demonstrar um interesse levemente lascivo pelo coelhinho da Páscoa. Mas isso é causo pra depois do Carnaval…

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One Comment leave one →
  1. Pleura permalink
    dezembro 25, 2012 11:17 pm

    Melhor conto de Natal de todos os tempos!

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