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Os cães que ladram

janeiro 9, 2008

Era uma tarde ensolarada de verão, com poucas nuvens no céu, e uma brisa morna meneando por entre as folhas dos arvoredos. Dois cachorros, um preto e outro caramelo, discutiam ferozmente, separados por uma grade de ferro fundido, num bairro qualquer do subúrbio.

– Ah, seu mané!! Tá preso aí no quintal e eu aqui só na boa vida!
– Pelo menos eu não preciso virar lata de lixo pra arrumar comida!
– Pode ser, babaca. Mas eu como geral, aqui fora.
– Você come cachorra sem dono, que não toma banho e nem usa coleira.
– E você, que come sempre a mesma cadelinha sem graça?
– Sempre limpinha, bem alimentada e saudável. Que mal há nisso?
– Eu como várias por dia, uma depois da outra. Elas até pedem mais…
– E está com gonorréia, parabéns!
– Isso é inveja sua, cachorro de playboy.
– Eu poderia dizer o mesmo, seu pulguento viralatas!
– Opa, peralá! Tenho muito orgulho das minhas pulgas e origens!!
– Então tá, preciso entrar agora. Minha dona vai assistir a novela.
– E você vai assistir junto?!? Ah, que boiola!! Hahahahaha
– Que nada. Eu aproveito que ela está distraída para mijar no carpete da sala.
– E qual a graça disso, seu perturbado?
– Sabe como é… De vez em quando a gente precisa dar uma de transgressor.
– Porque você não foge? Seria mais divertido, e os deixaria furiosos.
– E eu andaria por aí ao lado de quem? De você? Não….
– Então, tudo bem. Vou nessa que tem uma vadia no cio, ali embaixo.
– Mande lembranças!
– Podexá, que eu digo pra tua mãe que você sente saudades.
– Seu cão danado! Não chegue perto da minha mãe.
– Não levante esse latido pra mim, que eu serei teu padrasto!
– Quer saber? Vou entrar, que é o melhor que faço!
– Isso! Enfia esse rabinho entre as pernas e se esconde, covarde.

E assim teve fim a discussão. O cachorro preto foi mijar no carpete de sua dona, conforme prometido, enquanto o outro emprenhava a cadela Sheiva, sua mãe. Os dois continuaram se estranhando até que chegou um pinscher na vizinhança. Dali em diante, o pequeno René passou a ser o motivo de chacota e escárnio do cachorro caramelo, que já perdeu a conta de quantos filhotes espalhou por aquele quarteirão.

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