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respiro

maio 14, 2008

Eu entro no carro, molho o indicador com um pouco de saliva e tento adivinhar para o onde o vento sopra. Coloco um cd para tocar, giro a chave e piso no acelerador. Do piano que alguém tocou, ouço um punhado de notas tristes, daquelas que se juntam para formar uma canção melancólica. Não sei por que, mas fecho meus olhos para poder ouvir suas nuances com mais desvelo.

Da janela entra um vento indomável, arredio, que faz meus cabelos dançarem por sobre os ombros empoeirados, cansados demais por carregarem tantos fardos. Fecho meus olhos novamente e deixo que a sorte me guie até abri-los novamente. Se ela não existir, alegro-me em saber que, pelo menos, também não existe azar.

De meus olhos caem as primeiras das muitas lágrimas, que brotam involuntariamente, molham a pele e escorregam pela face, até morrerem nalgum pedaço amarrotado de minha camisa. Estranho essa sensação de tristeza, repentina e desmotivada, mas não me permito interrompe-la. Concedo aos meus sentimentos, mesmo aqueles mais irracionais, uma chance de se deixar extravasar.

Do alto de uma colina, avisto o moinho que me faz perder a concentração. Não é que eu a perca, na verdade. Só mudo de foco. Esqueço por alguns milésimos de segundos que estou guiando e me começo a me imaginar rolando por aquela grama verde, viva. Sinto sua textura nas pontas dos dedos, as gotas de orvalho, o cheiro de mato e o azul celeste contrastando com a alvura das poucas nuvens, que também seguem o caminho dos ventos.

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