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Diabética e cariada

novembro 11, 2008

No que terminou de ler aquela carta, que chegara sem aviso, Jaqueline correu para o quintal, onde deitou-se na grama e danou a sorrir. Ficou ali, quietinha, ouvindo o farfalhar do vento contra a copa das mangueiras, que já estavam carregadas de frutas maduras e suculentas. Abraçou o envelope, comprimindo-o contra o peito, e pensou que poderia até morrer, de tanta felicidade. Não havia ninguém em casa, e por isso ela permaneceu ali, até já não ter mais noção do tempo que passou. E cadê vontade de se levantar? Veio a noite, e vieram as estrelas. A brisa fria a amoleceu: continuou sorrindo, sozinha, até adormecer. No dia seguinte, já refeita e penteada, colheu algumas mangas, que caíram durante a madrugada, e preparou uma mousse. Estava tão feliz que colocou o dobro de açúcar. E vieram outras cartas. Anos mais tarde, ela descobriria que romantismo em excesso pode causar cáries e até mesmo diabetes.

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