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ch-ch-ch-changes

janeiro 5, 2009

Cinco, quatro, três, dois, um!! Rolhas ao céu, abraços em desconhecidos, sorrisos para todos os lados! Cueca branca para quem quer paz, calcinha rosa para encontrar um novo amor, soutiens vermelhos para quem só quer sacanagem… Já é possível sentir a diferença no ar, não é mesmo? O cheiro de janeiro está lá fora, o gosto das primeiras horas de 2009 com o sol nascendo, irritantemente carioca. Um novo dia, enfim. Um belo dia para mudar de vida.

Quem decidiu passar a virada em Copacabana, entretanto, não viu nada de novo. Nem para aqueles que, há mais de cinco anos, não compareciam à festa no calçadão desenhado com pedras portuguesas. Os fogos de artifício, que na televisão explodem como lúdicos devaneios pueris, não empolgaram. Nem o banho de espumante, aquela mais vagabunda, conseguia convencer. Permaneceu, na boca, a sensação de que faltara mostarda no cachorro-quente. Seria tudo só um ensaio? Não mesmo. Seria bom receber o dinheiro do ingresso de volta.

A tiazinha de Irajá, com o vestido de viscose estampado, achou tudo um barato. Comprou o combo de três “Skóis” por cinco dinheiros com um ambulante e fez sua própria festa. Pulou as sete ondinhas, acendeu uma vela para Iemanjá e então dançou, até não poder mais. Completamente sozinha. E absurdamente feliz, jogava beijos para os homens que cruzavam seu caminho. Um grande exemplo de perseverança… ou então ela fugiu do hospício. O que daria no mesmo, nas atuais circunstâncias.

É nessa hora que até o cético mais incrédulo dobra os joelhos, fazendo as mirabolantes resoluções de ano novo. Pode reparar: aquele seu tio para de fumar, a vizinha para de ler suas correspondências, a prima tortinha perde o cabaço e a amiga saradona escolhe o instrutor mais bonito da academia para ajudar a deixar o bumbum mais durinho. Tudo isso funciona muito bem até o carnaval, quando o povo já nem lembra mais do que prometeu a si mesmo e acaba descambando para a mais bela e santa putaria. Como sempre foi, e como sempre há de ser.

Para quem curte mudanças, o ano novo é um prato cheio. Muitas vezes azedo, outras amargo, mas sempre indigesto… Os novos prefeitos tomam posse logo no primeiro dia, bagunçando ainda mais o que já era uma zona. Aí vem o IPTU, o IPVA… e a reforma ortográfica!!! Essa, sim, apavora! Depois de passar uma vida inteira aprendendo a escrever corretamente, o povo vai ter que voltar para a classe de alfabetização. Será que já existem merendeiras tamanho extra-large? Caiu o trema, o que é uma pena. E apesar da rima fraca, tomara que não caiam as reticências também… Estas, sim, são importantes demais para quem… err…

Voltando às mudanças, estas não passam de um engodo. Todos querem mudar, e bem que tentam. Mas a verdade é que, na essência, tudo continua a mesma porcaria. Quem não presta, continua não valendo nada. Pode até rolar uma maquiagem: um rímel aqui, um delineador ali, mas o bafo matinal não tem como esconder. O esforço é válido, entretanto. É possível, sim, que algumas pessoas consigam melhorar, resgatando uma porção de si que talvez tenha sido negligenciada num momento de leve entorpecimento. Mudança mesmo, leva tempo e custa caro. Melhor mesmo seria contrair amnésia retrógrada e começar tudo de novo. Feliz 2009!

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