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diário de um suicida

junho 9, 2009

Querido diário…

Hoje eu resolvi me matar. Mas como não tenho nenhum amigo, nem parentes próximos, cabe a você comunicar a todos que minha vida foi uma merda. Quero que saiba, acima de tudo, que essa cambada de filhos-da-puta é culpada por minha miséria. Me largaram sozinho, comendo sardinha com maionese estragada, aqui em Itaguaí. Agora vão se fuder, todos eles. Fui numa funerária e encomendei tudo que eles tinham de mais caro, com direito a caixão revestido de veludo e o caralho. Como o defunto não pode assinar cheque, dei o nome de quem mais me fodeu para pagar a conta, minha mãe. A piranha não me liga há três anos.
Quanto ao método que escolhi para dar fim aos meus dias, não foi difícil. Decidi tomar chumbinho, aquele veneno que mata rato, e qualquer camelô vende, debaixo dos viadutos. Comprei dois potes, e vou misturar com as sardinhas, logo mais.
E para não dizerem no meu enterro que só fui um estorvo, deixo para meu irmão mais novo, o Kaikinho, minha coleção da revista Playboy. Ele está com treze anos, vai fazer bom uso delas.
Só para terminar, gostaria de deixar bem claro que nunca fui a favor da guerra no golfo, nunca debochei do Papa, nunca ri da cara da Ruth Lemos, tampouco chamei o Jô Soares de otário. Admito ter feito piada com a morte da filha da Glória Perez, mas isso todo mundo fez. E como todo homem que honra seus próprios colhões, juro que nunca mais vou escrever diário na minha vida… Literalmente.

Com rancor,
Cleverson

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