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sob pressão

julho 4, 2009

Sob pressão!
Com a proximidade de seu casamento, Selma começou a sentir a desagradável presença de um fantasma que só costuma assombrar a vida dos homens… Ela temia que sua libido, reprimida e carregada de culpa, a deixasse na mão justamente na noite de núpcias. Tinha medo de broxar e, por conseguinte, amaldiçoar seu futuro conjugal. Foram oito anos de espera, onde Ricardo precisou fazer esforços mais do que heróicos para não se entregar às tentações mundanas, atendo-se somente ao que estava no alcance de suas próprias mãos.

Como não era mulher de se deixar abater por bobagens como essa, a futura noiva ligou para Tânia, sua melhor amiga e rainha das mandingas. Um pouco embaraçada, revelou suas angústias e pediu uma solução rápida, prática e simples, que não precisasse de mundos ou fundos para dar certo. Selma queria ser a mulher mais sensual que Ricarso já pusera os olhos. Queria fazer daquela, a primeira das infindáveis noites de prazer que teriam juntos, por todo o resto de suas vidas.

Na véspera do casório, seguindo as instruções rascunhadas numa caixa engordurada de comida chinesa, Selma preparou a poção afrodisíaca. Segundo sua amiga, o sumo de uma bergamota madura deveria ser misturado a duas cabeças de alho, socadas em açúcar mascavo, para então dormir sob o sereno e a luz da lua, numa cumbuca branca de porcelana. Nada tão pavoroso, quanto enterrar uma garrafada com filhotes de rato albino para curar calvície.

Chegado o grande dia, a noiva acordou antes dos galos e recolheu o caldo mágico, que foi reservado então numa pequena garrafa de aço inoxidável, escondida no fundo de sua mala. Depois de almoçar pela última vez como solteira, Selma seguiu para o hotel, onde teria uma tarde inteira de relaxamento, banhos com florais e toda a produção que requer um evento como aquele. Ao cair da noite, estava deslumbrante, com um brilho no olhar que chegava a cintilar mais que as estrelas.

A cerimônia correu como o esperado, e a festa foi um desbunde. Todos se fartaram de tanto beber e comemorar, e o casal sorria como se não houvesse fome na África e nem gente aleijada pelo mundo. Sem dar muita bandeira, fugiram escondidos pelo jardim, rumo a tão sonhada lua de mel. Como o vôo só iria partir ao amanhecer, seguiram para um luxuoso flat emprestado pelo chefe de Ricardo. Selma, já ansiosa com o que estava por vir, aproveitou uma distração do marido para beber o sumo do amor.

Estavam, enfim, a sós. Pela primeira vez, depois de tantos anos, entregaram-se ao prazer das próprias carnes, que não de num rodízio esfumaçado. Beijaram-se, despiram-se e quase perderam os sentidos de tanta aflição. Selma começou a sentir algo crescendo dentro de si, e ainda não era a virilidade de Ricardo. Um fogo ardia entre suas pernas. Estava se sentindo, pela primeira vez, como uma fêmea no cio. Tamanho era seu tesão, não sabia se aquilo era um orgasmo, ou combustão espontânea. Explodiam bombas dentro de seu corpo, ininterruptamente.

Amedrontada, a moça correu para o banheiro, onde não conseguia mais parar de mijar. Talvez, se tivesse seguido rigorosamente as instruções de beber somente um gole daquele licor, não estaria sofrendo com aqueles fortíssimos espasmos vaginais. Sem saber o que fazer, ela pediu para que o marido a deixasse a sós, pois não queria deixa-lo ver seu sofrimento. Como ela não conseguia descolar o traseiro da privada e urrava de dor, Ricardo reagiu por instinto. Com um balde cheio de gelo, tentou refrescar sua esposa, mas a cena que vi a seguir foi por demais grotesca.

Como uma boneca de cera, Selma começou a dissolver na frente do marido. Seus olhos saltaram das órbitas, enquanto a pele escorria para o chão, totalmente liquefeita. Sua agonia era tanta, que aos poucos ela foi perdendo os sentidos, esvaindo-se para dentro do ralo. Em poucos segundos, seus gritos já não eram mais ouvidos, e Ricardo assistia atônito àquele show de horrores. Já não estava mais nada de Selma, a não ser uma gosma pulsante e disforme. O viúvo, em choque, puxou a descarga e ligou a tv. Nunca imaginou que seria tão amaldiçoado por ter se permitido aliviar a pressão nos braços de Tânia, na véspera do casório…

Bonus track: David Bowie & Annie Lenox “Under Pressure”

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