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Mãos ao alto

novembro 19, 2009

Quando o meliante sacou a arma e apontou para a cabeça de Giliane, não teve jeito: ela disparou a bater palmas efusivamente. Essa mania estranha manifestou-se pela primeira vez na adolescência, depois de uma noite febril em decorrência da infecção urinária que contraiu no banheiro do salão de festas onde comemorou seus quinze anos. Daquele momento em diante, sempre que acometida por fortes emoções, ela se aplaudia involuntariamente. Por mais que tentasse conter aquele impulso doentio, a balzaquiana era vencida pelas próprias mãos. Foi assim no enterro da avó, no casamento de seu irmão, na sua primeira noite de amor, na extração dos sisos, no naufrágio do Bateau Mouche, até no reveillon que passou presa num engarrafamento da Avenida Brasil. Vários médicos, psicólogos e paranormais tentaram, em vão, conter aquela sina. Tudo em vão, até o fatídico assalto, naquela esquina deserta do Valqueire, onde ela jamais tinha passado antes. Egídio só queria sua bolsa e o iphone, mas quando a ouviu batendo palmas, acabou congelando. Era seu aniversário, e aquele gesto de desespero foi o mais próximo de uma congratulação que recebera. Contendo o choro, o rapaz ajoelhou-se e pediu perdão para Giliane, que livrou-se de uma tormenta e ganhou um amor bandido.

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