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O outro lado do Pesadelo

março 16, 2010

Bateu aquela larica e Cleisimara foi comprar um cachorro-quente na avenida. Havia uma carrocinha mais perto de sua casa, mas a noite estava fresca e o caminho até a lanchonete era bem mais agradável. Enfiada num shorts jeans com a costura marcando suas mucosas, ela arrematou o look com um top de lycra e seu já famoso boné de couro. Seguiu estalando as tamancas desleixadamente, além do nariz empinado.

Talvez tenha sido a tatuagem nas costas, ou seu jeitinho depravado de andar rebolando. O fato é que Miguel estava passando de carro e resolveu aborda-la: “Gata, você topa a três?” A moleca não pensou duas vezes e trocou a salsicha pela lingüiça. Sentiu-se uma verdadeira madame quando ele fechou os vidros e ligou o ar condicionado. No caminho, o rapaz engomadinho explicou a situação e pegou em sua perna. Cleisimara estava tão fogosa que em poucos minutos deixou o banco ensopado.

Não demorou muito para chegaram na Ilha do Governador, onde o cortês anfitrião a abraçou depois de estacionarem, dando-lhe um beijo no pescoço e detalhando com entusiasmo sobre a fantasia do casal. Ansiosa, Cleisimara respondeu que mal podia segurar a vontade de despi-lo, com seu sorriso indecente estampado na cara. Subiram as escadas ensaiando algumas preliminares e chegaram ao quarto, onde ela pôde ver a esposa de Miguel saindo do banho.

Glenda estava enrolada numa toalha, com a qual também secava as pontas dos cabelos. Não pareceu muito empolgada com a visão da jovem, e sequer a cumprimentou. Aquele piercing no umbigo a incomodou de uma forma tão absurda que chegou a ficar enjoada. Miguel, tirando a camiseta, bem que tentou acender o fogo entre as duas, mas não houve jeito. Tudo aconteceu tão repentinamente, que Cleisimara não entendeu quando a madame pegou as chaves do carro e saiu em disparada.

Seu jeito suburbano e o perfume adocicado não fizeram o requisito de Glenda, que sempre imaginara dividir o marido com uma mulher fatal e bem produzida. Aquele arremedo de gente, entretanto, só a fez broxar. Trancou-se em casa e não quis mais atender Miguel. Foram meses amadurecendo a idéia para ele entender tudo errado e destruir com sua libido. Cleisimara, coitada, ficou a chupar o dedo e ainda voltou para casa de Kombi, com as moedinhas que tinha no bolso e o que lhe restava de dignidade entalado na garganta.

Este conto é uma versão do texto “Pesadelo” publicado pela @brommelia, no “Blog da Maria”

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5 Comentários leave one →
  1. março 17, 2010 2:38 am

    tá SEN-SA-CIO-NAL!

    posso roubar e postar lá amanhã? (que na verdade já é hoje?)

    bjsssssssssssssssssss

  2. março 17, 2010 2:44 am

    ou vc prefere que eu poste só o link?

    bem, me fala amanhã, por DM. beijo!

  3. cinebuteco permalink
    março 17, 2010 5:47 pm

    As moedinhas do cachorro-quente, certo? Coitada!

  4. março 17, 2010 10:55 pm

    Cara, muito legal a narrativa. Gostei mesmo. E volto mais vezes para continuar conferindo outras postagens.
    Abração.

  5. março 19, 2010 9:41 am

    Tadinha da Cleisimara…toda molhadinha e a Glenda nem aí pra ela… xD
    Adorei o conto…muito bom ^^

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