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Maternal demais…

fevereiro 24, 2011

Fúlvia estava deitada no sofá, comendo seu Doritos com patê de azeitona preta, quando sentiu o líquido amniótico vazar por entre as pernas e inundar as almofadas. Esbaforida, a mulher correu até o quarto, derrapou no tapete em forma de margarida e deu com o nariz na cabeceira da cama. Com sangue escorrendo pela cara, ela se olhou no espelho e riu da própria desgraça. Estava parecendo uma atriz mequetrefe em filme de terror com baixo orçamento. Limpou a sujeira, pegou o telefone e chamou um táxi. Chegou no hospital a tempo de ver o final da novela, último capitulo. O mocinho morreu e a vagabunda da bandida fugiu para o México. O trabalho de parto começou bem, mas lá pelas tantas uma das enfermeiras desmaiou, carregando consigo a quase mamãe para fora da maca. Correndo contra o tempo, o obstetra acabou trazendo a criança ao mundo ali mesmo, no piso gelado da sala de parto. Era um menino, com um belo pênis fimótico e um saco escrotal enrugado. Com o nariz sangrando, Fúlvia pediu para ver a criança, e um lenço de papel. Depois de confirmar que o recém nascido tinha os vinte dedinhos intactos, não era aleijado e estava respirando plenamente, a enfermeira o entregou para a mãe. Ao olhar atentamente para o bebê que tinha em seus braços, a mulher deu suspiro e, tomada por uma fúria apocalíptica, o arremessou pela vidraça, dando uma gargalhada diabólica logo em seguida. Percebendo que toda a equipe médica estava aterrorizada com sua reação, Fúlvia fez questão de deixar tudo em pratos limpos, enquanto limpava mais um pouco do sangue que lhe escorria do nariz até o lábio.

– É o seguinte, pessoal. Esse filhodaputinha passou nove meses dormindo, bebendo, comendo e gagando dentro de mim. E justamente quando tem a oportunidade de me agradecer por isso tudo, vem me mostrar a língua? Vai tomar no cu! Zuni longe, mesmo!

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4 Comentários leave one →
  1. fevereiro 24, 2011 2:27 am

    estado puerperal. infanticídio. se tentado ou consumado, só vendo se o piá tá vivo.

  2. fevereiro 24, 2011 8:12 pm

    Rafael, eu li isso de madrugada, num último clique antes de dormir, mas deixei pra comentar agora.
    Hahahahahaha, cara, você é genial. Eu me pergunto o que deve ser sentar com você num buteco, você não existe não. Eu ri muito com “Era um menino, com um belo pênis fimótico e um saco escrotal enrugado.” E a observação da mãe, impagável.

    MUITO bom!

  3. fevereiro 25, 2011 11:19 am

    Olha eu ja vi algumas mães com rejeirarem o filho por conta de uma depressão pós puerperial… mas essa ganhou de longe…. alias ela deve ter ganho a medalha de ouro em arremesso de criança!

    Abraços

  4. Luiz Paulo permalink
    agosto 13, 2011 3:17 pm

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk de onde saiu esse final? Mto bom.
    Abraço

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