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Sapatinhos de Rubi

agosto 19, 2011

Dorothy olhou para seus sapatinhos de rubi, e hesitou em bater três vezes os calcanhares. No fundo, não queria deixar aquele reino colorido, onde todos sempre estavam a cantar. Pode ser que “there’s no place like home“, mas aquele mundo já seria o bastante para ela. Uma lágrima caiu, molhando seu vestido, e a menina começou a soluçar. Consolada pelos seus fiéis amigos, revelou o motivo de sua angústia:
– “Como é que eu vou fazer escova-progressiva morando naquela porra de fazenda, caralho?

Prioridades

agosto 15, 2011

Maria das Graças morava num barraco de madeira, no fundo do quintal de sua madrinha, em Nilópolis. Por ter nascido muito pobre, a moça não tinha muitas aspirações quanto ao futuro. Trabalhava como empregada doméstica em Copacabana, onde ganhava um salário mínimo, e uma cesta básica. Parou de estudar na primeira série, e quando lia, eram revistas de fofoca e novelas que catava pela rua. Sua dieta se resumia ao combo de salgadinho com refresco, que comia no Fornalha, antes de pegar o ônibus de volta para casa.

Eis que, certo dia, ela achou dinheiro na rua e decidiu testar a sorte: comprou duas raspadinhas, e guardou na bolsa. Parou no bar, tomou umas cervejas, cantou uns rapazes e depois seguiu cambaleando para o barraco. De banho tomado e estirada sobre a esteira que usava como berço, a mulata lembrou-se dos bilhetes. Com a ajuda de um grampo, riscou os quadrinhos da primeira, e não ganhou nem um sorrisinho. Já na segunda, ainda que descrente, veio a grande bolada: apareceram três macaquinhos e Maria das Graças levou cinco mil teresinhas!

No dia seguinte, tratou de ligar para Dona Orli, avisando que faltaria ao serviço. Depois de penar para descobrir como sacar aquela bufunfa, ela voltou quietinha para seu barraco, onde espalhou o dinheiro sobre o chão e rolou nua sobre ele, já se imaginando com uma taça de champanhe nas mãos. Riu como uma retardada, e então tratou de pensar na melhor forma de gastar a dinheirama. Poderia comprar uma casinha no morro, alugar uma quitinete, ou matricular-se num curso de datilografia. O que fazer?

Eram tantas as opções, que ela acabou se rendendo às prioridades: comprou um Tv Led, 60 polegadas, à vista. E o negócio era tão grande que nem coube no barraco – teve que ficar de lado, num dos cantos, para que o curto fio da anteninha de UHF alcançasse a sua devida entrada. Tudo encaixado, Maria das Graças se jogou na esteira e sacou o controle remoto. O único canal que ela conseguiu sintonizar foi o SBT, mas tava ótimo: nunca estivera tão perto do Chaves, em toda sua vida.

No outro dia, ligou novamente para Dona Orli, se dizendo adoentada. Depois passou no mercado e comprou cinco garrafas de Sidra Cereser, uma peça de mussarela e quinhentos gramas de salaminho. Estava mais feliz que pinto no lixo, e se achando a mulamba mais rica do pedaço. Passou o resto da tarde fazendo fotossíntese diante da tv, enquanto bebericava a Sidra numa taça de plástico. Adormeceu, levemente embriagada, e nem viu quando o fogo começou.

Ao sentir o cabelo levemente chamuscado, acordou num pulo, e viu seu barraco ardendo em chamas. Desesperada, levou as mãos à cabeça e ficou tentando encontrar um jeito de salvar suas coisas. Os documentos e fotos que guardava em cima do armário ficaram de lado. Mais uma vez, deu-se lugar às prioridades e ela resolveu salvar a tv. Àquela altura, não restava mais nada além de observar o fogo lambendo seu lar. Perdera tudo o que tinha, até mesmo o resto do dinheiro das raspadinhas, mas não estava triste. Só precisava de uma tomada para assistir a novela, sentada debaixo do pé de árvore.

Oswaldo e a verruga de Glicênia

agosto 10, 2011

Glicênia passou o fim de semana no sítio de uma prima, e voltou renovada para Cascadura. Há tempos que pedia por um descanso, onde pudesse renovar as energias e esvaziar uns engradados de cerveja. Rolou nua pela grama, e teve um breve affair com o caseiro. Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, emanava um brilho quase pueril no olhos já castigados pelas rugas de expressão.

À noite, enquanto tomava um banho relaxante, descobriu uma verruguinha preta debaixo do braço. Era pequena, mas roliça. Deveria ter nascido naquele momento, ou não havia notado antes? Ficou atordoada com aquilo, e pensou em marcar logo um dermatologista. Como não estava doendo, secou-se e vestiu a camisola. Queria sonhar com Oswaldo, aquele rústico homem que esquentara sua noite de sábado.

O tempo passou, e ela esqueceu de marcar a consulta. Dia após dia, na hora de se banhar, Glicênia esfregava aquilo com a bucha, na vã esperança de que fosse secar e cair. Fechava os olhos, e só conseguia ver Oswaldo, nu, fazendo gemer. Passadas duas semanas, o negócio começou a crescer assustadoramente, e daí não teve jeito – teve que correr para o primeiro consultório que aceitasse seu convênio.

Depois de um rápido exame, a dermatologista virou-se, ressabiada, procurando por algum instrumento em sua bandeja de aço inoxidável. Com um chumaço de algodão, esterilizou o local com álcool hospitalar e muniu-se de uma pinça. Com um movimento preciso, torceu a abominação e, então, abriu um sorriso: “Parabéns, Dona Glicênia. Você cuidou muito bem deste carrapato! Quer que eu jogue no éter, para guardar de lembrança, ou posso mandar pro lixo mesmo?”

Glicênia ficou turva, e depois levemente esverdeada. Sentiu um nojo tão grande daquilo, que correu para o banheiro. Seu estômago revirava, enquanto a cabeça dava mil voltas. E enquanto ruminava o café da manhã em pleno vaso sanitário, ela só conseguia pensar em Oswaldo, seu homem suado e com cheiro forte de sol, catando os carrapatos cultivados nos pentelhos crespos e volumosos que guardava sob a sunga frouxa. Era uma vez, uma história de amor…

Vera

agosto 7, 2011

Vera é daquele tipo de pessoa que entra no ônibus reclamando que só tem lugar lá fundo. Reclama das janelas fechadas, reclama dos quebra-molas, reclama dos bancos, reclama do motorista que corre muito, reclama do motorista que para em todos os pontos, reclama das pessoas que usam perfume, reclama das pessoas que esqueceram de passar desodorante, reclama nas curvas fechadas, reclama nas ladeiras, reclama do preço da passagem, reclama das crianças, reclama dos velhos que pedem pra ceder o lugar, reclama da vida, reclama da morte, reclama com estranhos, reclama do cabelo que amanheceu mais crespo, reclama da sorte, reclama do azar, reclama da cotação do dólar, reclama do final da novela, reclama do celular, reclama da operadora que não pega em Caxias, reclama das pichações indecentes e reclama até na hora de saltar. Hoje, pela primeira vez na vida, ela pegou um táxi para ir até o fórum de Nova Iguaçu. O chefe estava pagando.

Vera reclamou do Chico Buarque que tocava na rádio, e murmurou sozinha: “Aff, prefiro mil vezes pegar um ônibus.

Doce mel

agosto 3, 2011

Mosélia tinha 18 anos e um certo retardo mental. Era tão feia e boba, que ninguém a queria por perto. Noite dessas, ela ouviu sua mãe falar sobre o novo namorado, e de como ele deve ter sido banhado em mel ao nascer. Com a cabecinha de jerico que tinha, na manhã seguinte, aproveitando que era a única acordada na casa, ela besuntou todo o corpo com o líquido viscoso e foi para a rua. Caminhou pela praça, sensualizou com o jornaleiro, ofereceu-se para o padeiro e até tentou a sorte com um catador de lixo. Mas foi num formigueiro que ela fez sucesso. Foi devorada em vida, mas morreu feliz. Finalmente encontrara alguém que a achou gostosa.

Pupi

julho 27, 2011

Pupi chegou num cesto de vime, usando uma gravatinha azul no lugar da coleira. Era um poodle toy acinzentado, que parecia muito esperto e peralta para quem só tinha 45 dias de vida. Recém desmamado, veio como presente de aniversário para a pequena Adelaide, que era filha única e há tempos pedia por um mascote. Diferente da maioria dos cãezinhos que choram na primeira noite longe da mãe, ele só queria um pouco de carinho. E assim foi feito.

Nos meses que seguiram, o filhote foi tratado com todo o mimo do mundo. Dormia ao lado da cama da guria, numa dessas almofadas bem fofas, com alguns paninhos estampados. No inverno, com a chegada das alergias e da bronquite, foi “convencido” a dormir na varanda, onde demorou a se adaptar ao frio e ao vento. A primeira noite foi uma dureza. Ele até tentou reclamar, batendo na porta com as patinhas, mas acabou voltando para seu cantinho em busca de calor.

Na manhã seguinte, lá estava seu rabinho abanando, e assim foi, sempre que o sol raiava.  Veio a primavera, acabaram-se os espirros, e ele continuou morando do lado de fora. Adelaide cresceu. Estava, agora, no ginásio. Pupi ficava sentado à beira da escada, esperando-a voltar pra casa, todo final de tarde. Quando ouvia o ruído do ferrolho no portão, disparava como um foguete e saltitava nas pernas de sua dona, agradecendo por um carinho que sequer receberia. Entretida com os apps de seu smartphone, ela sequer notava as acrobacias do bichinho.

Sua maior felicidade era acompanha-la até a varanda – o que durava, no máximo, quarenta segundos – daí ele já sabia que não se veriam mais, até a manhã do dia seguinte. Quando Adelaide saia novamente para o colégio, o poodle fazia mais uma festa, igualmente ignorada. Assim passou-se o tempo, e Pupi se manteve sempre fiel àquele costume. Sozinho, brincava com sua bolinha amarela pelo quintal, até o dia em que decidiram larga-lo numa rua deserta perto do lixão de Jardim Gramacho.

Pupi tentou correr atrás do carro, mas um caminhão vindo na direção contrária o assustou, fazendo com que os perdesse de vista. Em sua primeira noite ao relento, tentou encontrar abrigo sobre a marquise de uma fábrica. Passou frio, fome e sofreu com a solidão. Era pequeno demais para recomeçar num lugar tão hostil. Se pelo menos tivessem deixado sua almofada, ou os paninhos, ou a bolinha, teria no que se amparar… mas estava sozinho.

O pequeno perambulou pela região durante alguns meses, sendo alimentado ocasionalmente por transeuntes e alguns moradores mais afetuosos. De outros, no entanto, ganhou vários chutes, baldes de água quente e até pauladas. Já debilitado e com uma profunda tristeza no olhar, Pupi adoeceu. Foi emagrecendo gradativamente, até a noite em que deitou-se enroscado junto a um barranco e suspirou. Dormiu pela última vez e não acordou.

Adelaide, dia desses, remexia em seu album de infância e encontrou um retrato de Pupi, com a bolinha amarela na boca e o rabinho agitado. Apertou-lhe o coração lembrar que sequer olhou para trás quando o largara, pela porta de trás do carro, naquele lugar que nem lembrava o nome. Dali, para o resto da vida, ela iria se perguntar o que acontecera com ele, e sofreria com o remorso de lidar com o fato de que, àquela altura, ele talvez nem estivesse mais vivo para pular em suas pernas.

A pulserinha dourada

julho 25, 2011

Marcimeire é a típica garota suburbana, que vai a missa todos os domingos, faz cursinho de computação, usa lentes de contato azuis, não come carne-seca com aipim, tem dois pinscher na cor caramelo, já trabalhou como atendente de telemarketing, tem um namorado marombeiro, está tentando entrar para a faculdade de recursos humanos, tem nojo de gente suada, mora com os pais em Vila Isabel e curte um baile funk nos fins de semana.

No último sábado, lá estava ela no camarote da Via-Show, distribuindo abraços não muito sinceros e sorrisos evasivos, durante a comemoração do aniversário de Adeomar, seu namorado. O vestido que escolhera para a ocasião era tão curto, que se cobrassem pela quantidade de tecido, pagaria menos do que custa um cacho de bananas. Marcimeire gostava mesmo era de afrontar: depois de três vodkas com Red Bull, a morena estava quicando ao som de um Mc qualquer com o rego na grade.

Entre um agachamento e um rodopio, ela flagrou uma biscate de cabelos oxigenados aproximando-se de seu homem. Com os olhos que a terra um dia há de comer adornados pelas lentes de contato, ela ficou só filmando como seria o bote daquela sem-vergonha. Fez de conta que não percebeu a danada entregando um cartão com seu número de telefone para Adeomar, que sorridente, agradeceu com um beijo demorado na bochecha da maldita.

Tomada pela fúria de Sula Miranda, a destemida Marcimeire correu para os braços de Adeomar e tascou-lhe um beijo cinematográfico. Com a cara toda borrada pelo batom vermelho-piranha, ela foi apresentada a Veronicque. Como o som estava muito alto, não ouviu direito e respondeu sorrindo, dando uma sinuosa quebrada com o quadril. Sob o pretexto de que precisava comprar uma água para se retocar, a morena meteu a mão no bolso do namorado e puxou, junto com alguns trocados, o cartão daquela piriguete.

Como dispunha de uma pulserinha dourada, Marcimeire teve acesso ao banheiro unisex da diretoria.  Depois retocar a maquiagem e desafogar a bexiga, a morena sacou de sua bolsa um enorme pincel atômico. Seu velho companheiro de baladas, que já durava anos, fez mais uma vítima. Espumando de raiva, ela entrou em todas as cabines e pichou suas portas com o telefone de Veronicque, acrescentando a alcunha de Piranhuda de Caxias. Aliviada, ela picou o cartão, jogou no vaso e deu a descarga. Depois voltou sorridente ao camarote e se acabou no funk, dançando até o chão.

Ela só não esperava que Adeomar, dispondo também de uma pulserinha dourada, fosse ao banheiro logo em seguida, acometido por uma forte dor de barriga. Como todo bom taxista, o sujeito tinha um fraco por sexo descompromissado, e ficou excitadíssimo com o recadinho que lera na porta enquanto virava do avesso na privada. Rapidamente, o marombeiro anotou o número em seu celular, e o destino se encarregou de todo o resto. Sem saber, Marcimeire acabou foi lustrando seu próprio par de chifres. E chifres, tinha aquela suburbana…

Póstuma

julho 23, 2011

Aquele que deveria ser o dia mais feliz de sua vida, fora também um dos mais tristes. Ela havia tomado a decisão sozinha, mas as damas de honra ajudaram no que foi preciso. A notícia viera pouco depois do almoço, mas Adália não cancelaria seu casamento assim, de uma hora para outra… Seria muito injusto descontar em Everaldo, seu futuro esposo, um sofrimento que era só dela. Mesmo com o coração ardendo e um nó entalado na garganta, a noiva desceu da limusine alugada e caminhou até a porta da igreja com as pernas bambas. Quem a visse, desavisado, pensaria ter entornado umas boas doses de uísque, mas era só tensão. Equilibrando um penteado em forma de colméia e com olhos carregados no cajal preto, ela sabia que, mesmo com a desaprovação de quase toda a família, sua homenagem a Amy Winehouse seria tão inesquecível quanto o sorriso safado de Everaldo ao vê-la daquele jeito. E quando o padre os declarou marido e mulher, Adália cantou bem baixinho, ao pé do ouvido de seu amado: “You know i’m not good”

Nem todo futuro a Deus pertence

julho 15, 2011

“Eu já não sei mais o que faço pra você tomar jeito na vida, Pedrinho!” exclamou, com fúria, a jovem Úrsula, enquanto arrancava a camiseta suada. “Eu ralo o dia inteiro pra te dar estudo, e agora fico sabendo que está de recuperação?! Mas que porra é essa, menino?” Ela era mãe solteira e morava em Bonsucesso, onde também trabalhava, numa pastelaria de rua.“Você acha que o dinheiro brota do ralo, que nem as lagostas da Dona Eneida, meu filho?! Aqui em casa só sai bosta! Bosta!!” – estava furiosa, e agora só de calcinha.

“Seu pai me largou, seus avós me deserdaram e eu tô aqui, perdendo a minha vida pra criar você! Acho melhor estudar, ou eu te coloco num chiqueiro, junto com os porcos!” – neste momento, Úrsula teve problemas em desatar o soutien e calou-se. Pedrinho, que ouvia a bronca de cabeça baixa, só conseguia pensar numa forma de enriquecer para também ter como ir embora. “Você é insuportável, sua vaca.” murmurou para si mesmo, quando ouviu o chuveiro sendo ligado. “Um dia eu vou te abandonar, e vai ficar sozinha!”

 Apesar das reclamações, Úrsula também sabia ser carinhosa. Depois de sair do banho, ainda enrolada na toalha vermelha e com manchas de mofo, ela procurou pelo filho e se desculpou: “Eu te amo, viu? Só quero garantir um futuro bom para você, Pedrinho. Aposto que você vai dar um ótimo engenheiro!” Os olhos do menino marejaram, e bateu em  desespero. Enquanto ela se trocava, ele desceu correndo as escadas e virou todo o veneno de rato na sopa  de ervilha, repetindo para si mesmo: “Eu quero ser palhaço de circo, sua vaca! Palhaço de circo!!”

Levite, mamute!

julho 13, 2011

Desde que comprara o Manual Prático de Levitação, Astolfo nunca mais foi o mesmo. Por sentir-se leve como uma pluma, ele largou mão da dieta e começou a engordar. Almoçava no Burger King, fazia um lanche no Bob’s e sempre jantava no McDonalds. Antes de dormir, era certo dele comer um balde quentinho do KFC, e de quebra, mais dois potinhos de sorvete HäagenDazs. Não demorou muito para ficar conhecido como o Mamute Voador da Vila da Penha.

Rotundo e engordurado, ele passou a ter ódio de gente magra. Era só passar na frente de uma academia de ginástica para amaldiçoar a vida daqueles que, sem culpa alguma, tentavam manter uma rotina mais saudável. Cheio de ódio no coração, Astolfo se concentrava e saia flutuando por cima dos prédios. Lá do alto, por puro despeito, arriava as calças e mandava quilos de bosta sobre as pessoas que corriam na Rua Oliveira Belo. Sim, ele se divertia muito com isso…

Houve um dia, entretanto, que a levitação começou a falhar. Ele saltava, saltava, mas não conseguia flutuar como antes. E isso o deixou amargurado. Gostava do status de Mamute Voador, e não queria perde-lo por um simples capricho da sorte. Já paranóico, começou a culpar os esbeltos por aquela desgraça. Cuspia-lhes, toda vez que esbarra pela rua. Ruminou aquele rancor até o dia em que sequer pular conseguia mais. Daí caiu morto no chão, com as artérias entupidas e um exemplar da Men’s Health nas mãos.