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sexo é natural, sexo é divertido

setembro 22, 2009

– Rogério, tive um sonho erótico com você!
– Cruzes! Como é que foi isso, garota?
– Ah, sonhei que a gente tava numa piscina e… cê sabe!
– Transamos na piscina?!?
– Não! Foi um sonho erótico, não pornográfico!
– Ufa! Só de pensar já fico tenso! Você é minha amiga, Gleide…
– Pois é, você também é meu melhor amigo, mas tem um pinto… e eu tava pensan…
– Pode ir parando! Sei que você anda na secura, mas isso eu não faço!
– Isso o quê, Rogério?
– Nem adianta, que eu não vou te comer, Gleide! Assunto encerrado!
– Mas, Rô…
– Sem “mas”! Você é como uma irmã pra mim! O pinto nem ia subir…
– Pois é, no sonho também não queria subir, mas aí eu fui e…
– Chega! Não quero mais saber dessa história! Tá me dando aflição!
– Rô, vou começar a pensar que você é…
– Sou o que, Gleide? Você anda muito cheia de reticências!
– E você, pudico demais! Senão já teria me passado a…
– Sabia que eu já tive gonorréia? Peguei da Priscilla, aquela minha ex.
– …
– …
– Então, acho que vou convidar o Gláucio para dar uma volta.
– Vai ser ótimo. Ele é uma cara muito muito bacana.

Bonus track: George Michael “I Want Your Sex”

os amores de nossas vidas

setembro 18, 2009

Uma canção sofrida de Carly Simon tocava no rádio quando Orlinda acertou a cabeça de seu marido com uma panela de pressão, onde ainda havia um restinho da sopa de ervilhas que eles comeram no jantar. Sim, aquela foi uma noite romântica, em comemoração aos seus dez anos de casamento. A pancada, entretanto, foi tão inesperada que ele sequer teve tempo de reagir. Por alguns instantes, o corpo de Romualdo teve leves espasmos, até não restar mais nada. Sua algoz, petrificada, assistia a tudo com a arma do crime ainda em mãos, no que o refrão da música repentinamente chega ao climax. Só o sangue se movimentava, escorrendo pelas orelhas e narinas do pobre rapaz, deixando o tapete de fibras naturais tão vermelho quanto o amor que diziam sentir um pelo outro. As pupilas, agora dilatadas e estáticas, outrora só apontavam para ela: o ataque fatal apagou tudo. Maldita a hora em que ele resolveu criticar a permanente que ela fizera nos cabelos especialmente para aquela ocasião.

Bonus track: Carly Simon “Coming around again”

never felt this way before

setembro 15, 2009

Hoje, Marcela decidiu que não iria trabalhar. Depois de tomar uma xícara de café com pouco açucar, a moça escovou os dentes e vestiu-se toda de preto. Cheirou uma carreira de pó, tirou a vodka do freezer e trancou as portas. Com um gorro na cabeça, só os olhos de fora, ligou o ar-condicionado na potência máxima, envolveu-se nos edredons e acionou o dvd player. Assistiria Dirty Dancing, o dia inteiro, e bateria algumas siriricas em homenagem a Patrick Swayze, que fora a inspiração de seu primeiro e mais intenso orgasmo.

Bonus track: Bill Medley e Jennifer Warnes “The time of my life”

delírios de rosália

setembro 8, 2009

Rosália era uma gordinha safada, que nos dias de chuva se divertia mostrando fartos seios a quem passasse pela rua. Tinha lá seus vinte e poucos anos, mas era como uma criança: boba até não poder mais. Dormia chupando o dedo, e de vez em quando até mijava na cama. Achava graça de tudo, mas se ouriçava toda era com uma boa sacanagem. Deixava-se relar por meninos imberbes, invariavelmente acometidos pelo priapismo juvenil e ejaculação precoce. Divertia-se como uma louca ao ser paparica em troca de sexo, e jamais recusava uma oportunidade de estremecer a terra com seus orgasmos retumbantes. Dentre os fornicadores, era tida como a melhor trepada do século, pois topava de um tudo e ainda pedia bis. Sua farra só acabou quando foi currada por nove estivadores fétidos e mal intencionados. Fizeram dela gato e sapato, e daquela noite em diante, enlouqueceu de vez. Ela foi vista remando em direção a Paquetá, mas por lá, jamais foi vista. É possível que tenha naufragado em seu próprio delírio, ou esteja à deriva, em direção à terras mais promissoras, onde poderá enfim se recuperar do baque orgiástico e começar uma nova vida, com a cintura mais acentuada e batom vermelho nos lábios.

tormenta

agosto 26, 2009

Virgilio acordou bem cedo, com o dia ainda escuro, e pensou seriamente em não sair da cama. Enquanto preparava a marmita, ia amaldiçoando seu patrão por tê-lo mudado para o turno da manhã, justamente na época do inverno. Uma garoa fina começou a cair quando ele trancava o portão, e só então lembrou que o guarda-chuva havia ficado lá dentro. Pegou o ônibus já cheio, mas achou um lugar no fundo, onde poderia respirar, se tivesse um pouco de sorte. Lá fora, a chuva foi aumentando, tal qual o vento. Os vidros embaçaram quando todas as janelas foram fechadas, e fez-se a sauna. Crianças chorando, homens tossindo e mulheres resmungando. O coletivo transformava-se, aos poucos, numa sucursal do inferno. O coitado suspirou, lembrando que poderia ter ficado em casa, ouvindo seus discos de Mercedes Sosa. Mas ele colecionava dívidas há um bom tempo, e esse era um luxo que não podia se dar. Pela janela, ele viu que a rua já havia se tornado um pequeno córrego. O trânsito foi ficando cada vez mais lento, até que parou. Os carros não andavam, e algumas pessoas começavam a subir em bancas de jornal. A água começou a invadir o ônibus, e alguns cachorros eram carregados pela correnteza. Minutos depois, alguns carros já estavam submersos e o pânico tomou conta de todos. As portas estavam emperradas e tudo aconteceu muito rápido. Estavam debaixo d’água, sufocando… e Virgílio deu pulo. Seu teclado estava ensopado de baba, o dono da empresa esperava explicações para aquela sonequinha no meio da tarde.

Bonus track: Mercedes Sosa “Alfonsina el Mar”

feliz aniversário

agosto 24, 2009

Glória Rejane assoprou as velas que adornavam seu bolo de aniversário e fez um desejo. Ela era a típica garota de subúrbio, que escrevia em diário, comia batata-frita com ketchup e vivia sonhando com seu príncipe encantado, que a levaria para bem longe dali, onde os tiros das favelas não poderiam ser mais ouvidos. A guria também acreditava muito em simpatias, apesar de não ter religião. Acenderam as luzes e aplaudiram a aniversariante, que deu o primeiro pedaço para o pai, o segundo para a madrasta e guardou um terceiro, que mais tarde iria para dentro da fronha de seu travesseiro. Aquele iria trazer o amor de sua vida, ela tinha certeza. Acordou na manhã seguinte com a boca coberta de formigas. Tamanho desespero a fez pular da janela e cair no pátio do prédio, onde foi milagrosamente amparada pelo colo robusto de Sérgio Rogério, o novo vizinho do 405. Ele se apaixonou no mesmo momento, mas ela só descobriu o amor depois que seus lábios recuperaram a sensibilidade, pois o beijo em si era tudo oque ela sempre desejou, apesar do chiclete de canela que ele devia estar mascando há pelo menos quatro horas…

Bonus track: Kylie Minogue “In My Arms”

diário de uma mulher vingativa

agosto 12, 2009

Querido diário.

Hoje o Manel me bateu. E não foi uma tapa na cara, nem um soco na boca do estômago. Para minha surpresa, eu tomei uma vassourada na bunda, mesmo. Sem motivo aparente, ele se revoltou comigo e começou a me chamar de piranha imunda. No começo, eu até que gostei, achei excitante, pensei até que a gente iria fazer alguma sacanagem bem pervertida na cama. Engano meu, ele não queria meter em mim.
Na verdade, queria meter a porrada, mas eu não deixei. Saí correndo, que nem uma louca, quando ele me deu a primeira vassourada. O pior é que eu tinha acabado de passar henê nos cabelos, e a rua inteira me viu com o saco plástico de supermercado enfiado na cabeça. Foda-se todo mundo, quem manda no meu cu sou eu e ninguém tem nada com isso.
Fui correndo até a casa da minha irmã, que não podia saber da briga, senão teria um infarto. Fiz a boba, disse que tava com saudades, e pedi um copo de Coca-cola, com gelo e limão. A coitada trouxe rapidinho, e ainda me ofereceu um pouco do biscoito champanhe. Só deus sabe o quanto eu fico louca da bacurinha quando como esse biscoitinho, molhado na Coca-cola… puta-que-me-pariu!
Quando já tava bem tarde, voltei para casa, e o Manel tava deitado. Fui pro banheiro tirar o creme da cabeça, e liguei a televisão, para espairecer. Acabei dormindo no sofá, e só acordei de manhã cedo, com o filho-da-puta do meu marido pedindo para passar o café dele. Também não me fiz de rogada, mijei num copo de geléia e misturei na água fervendo. Tomara que ele sinta o gosto de mijo dormido e se lembre que não sou saco de pancadas. Ai dele se me bater de novo. Nem imagina o que eu posso fazer com um bolo de chocolate com recheio cremoso…

Rochelle.

Bonus track: Ana Carolina “Implicante”

Do ralo pra panela

agosto 7, 2009
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O maior problema de Dona Eneida era decidir o que fazer para o almoço. Macarronada? Omelete? Bife com batata-frita? Purê de berinjela? Salpicão? Todo dia era a mesma pendenga: perguntava ao marido, ao filho caçula, e até para a afilhada, que não tinha nada a ver com a história. Ninguém tinha sugestões, só queriam saber do prato quentinho sobre a mesa. Depois de tantos anos cozinhando, a cansada dona de casa já havia até perdido a vontade de comer. Só se alimentava porque era preciso, e nem ligava se o feijão estivesse aguado demais. Em alguns dias, inclusive, preferia mergulhar biscoito champanhe no café com leite a bater um prato de comida.

Era quase meio-dia e ela ainda estava lavando a louça do café da manhã, quando ouviu um barulho estranho na área de serviço. Logo de cara, pensou que fosse um rato. Correu até a despensa, mas não era de lá que vinha o ruído. Olhou nos cantos, procurou atrás da sapateira, e até debaixo dos armários, até ouvir novamente aquele som estranho! Havia algo dentro do ralo, arranhando a tampa, vindo do esgoto. Assustada, Dona Eneida chamou o marido e apontou para aquela coisa, que subia pela tubulação… Ele deu de ombros, dizendo que era a espuma da máquina de levar e, numa atitude tipicamente machista, virou as costas, deitando-se novamente no sofá, onde a garrafa de cerveja o esperava suadinha.

Acuada, ela não podia fazer nada além de temer o que sairia dali. Continuou na função doméstica, mas sempre de olho naquele canto. Preparou um almoço básico, para não ter como perder de vista a saída do ralo. Arroz, feijão e alguns ovos fritos: foi o que almoçaram, de bom grado e barriga cheia. Dona Eneida sequer colocou uma garfada na boca. Estava atenta ao que acontecia na área. Sua aflição começava a ganhar ares de paranóia, quando ela cogitou tratar-se de um jacaré vindo do esgoto. Estavam todos deixando a mesa quando ouviu-se um estalo. Era a tampa de aço que se soltara, revelando um par de garras alaranjadas, que escapavam da tubulação. Logo, o piso estava repleto delas…

Dona Eneida não conseguia acreditar, mas o ralo de sua área de serviço estava vertendo lagostas vivas e sadias. Nunca antes tinha visto uma de perto, e agora estava diante de uma verdadeira invasão. Rapidamente, ela colocou toda a família para catar os bichos, que iam sendo jogados em baldes, em bacias, no tanque e até na máquina de lavar. O gato se assustou e saiu correndo, enquanto o cachorro latia enlouquecido, para aqueles pequenos monstros que avançavam em sua direção. Como elas não paravam de sair do ralo, a solução foi prender a tampa novamente e veda-la. Ainda sem fôlego, a dona de casa olhou ao seu redor e levou as mãos aos céus. Sua vontade de cozinhar havia voltado! Naquela noite, jantariam lagostas cozidas com batatas amassadas, até não agüentarem mais.

Ela sabia que custava uma verdadeira fortuna comer lagostas num restaurante medianamente sofisticado, e por isso tratou de pedir ao filho que procurasse receitas requintadas na internet. Temente a deus, ela tinha certeza de que aquele acontecimento era uma intervenção divina, e tratou de fazer bom uso dos bichos, com todo o respeito com que tratava de uma galinha, que mais tarde se tornaria uma canja. Como seu ralo não parava de produzir aquela distinta iguaria, Dona Eneida decidiu popularizar a lagosta. No dia seguinte, pendurou uma placa no portão e ofereceu pratos finos a preços módicos para a comunidade. E quem completasse a cartelinha com cinco selos, ainda podia levar uma garrafa de sidra. Ela só não fornecia as taças, porque aí já seria muito abuso.

Bonus track: The B-52’s “Rock Lobster”

até quando ainda houver sol

julho 31, 2009

Caiu a tarde e a situação permanecia inalterada. Sem internet, sem telefone, sem energia elétrica, sem carros, sem comunicação, sem nada… Tudo parou de funcionar, como que num efeito dominó ou passe de mágica. O céu alaranjado foi torna-se escuro, ninguém tinha notícias do que acontecia além de seus próprios quarteirões, e um medo quase desesperador começou a rondar a vizinhança. O que teria causado aquele blecaute total? Porque é que nada funcionava? Até quando duraria aquele tormento?

Gabrielle estava com calor e, numa tentativa de não se esvair em suor, seguiu para o quintal, onde deitou-se na grama e ficou observando as estrelas. Nunca havia imaginado que poderia ver tantas constelações a olho nu. Em alguns momentos, poderia jurar que o céu se movimentava como um tecido bordado em lantejoulas. Estava tão fascinada com aquele cenário, que até esqueceu da situação calamitosa pela qual estavam passando. Ficou lá, quieta, imóvel, enrolando a ponta dos cabelos cacheados entre os dedos, sozinha com os grilos, que agora eram os substitutos mais próximos de seu mp3 player…

Dona Glicéria, que passou quase toda sua vida sem tais modernidades, armou sua cadeira de praia sob a amendoeira. Com um leque em punho, refrescava-se calmamente, enquanto tudo ao seu redor parecia desmoronar. Havia acompanhado o por-do-sol pela janela da sala, saboreando um bolo de laranja. Só lamentava pela torta salgada que estava na geladeira, que havia sido especialmente preparada para a reunião dos paroquianos. Fora isso, dormiria com as janelas abertas, pois a tela de náilon impediria a entrada dos pernilongos. Nada mais a preocupava.

Silvia e Rogério estavam apaixonados, e por isso nem sofreram com o baque do apagão. Ficaram namorando, deitados na rede da varanda, na esperança de que tudo aquilo se normalizasse. Conversavam em sussurros, planejando um futuro colorido e com fogos de artifício. Seus beijos quase os alimentava. A vida a dois era tão mais confortável, que passariam o resto da existência se abraçando. Conseguiam entreter-se apenas com os seus próprios olhares, e o tempo que se passou não contava para eles.

Eles ainda não sabiam, mas o mundo ao seu redor havia deixado de existir. Os cachorros não paravam de latir, e uma revoada de andorinhas passou em direção ao bosque que ficava algumas quadras depois do shopping. Algumas pessoas passaram a noite em branco, jogando conversa fora. Outras, mais apavoradas, rezavam pela intervenção divina. Era apenas uma questão de tempo até que suas histórias também chegassem ao fim.

Bonus track: Creed “What If ?”

sob pressão

julho 4, 2009

Sob pressão!
Com a proximidade de seu casamento, Selma começou a sentir a desagradável presença de um fantasma que só costuma assombrar a vida dos homens… Ela temia que sua libido, reprimida e carregada de culpa, a deixasse na mão justamente na noite de núpcias. Tinha medo de broxar e, por conseguinte, amaldiçoar seu futuro conjugal. Foram oito anos de espera, onde Ricardo precisou fazer esforços mais do que heróicos para não se entregar às tentações mundanas, atendo-se somente ao que estava no alcance de suas próprias mãos.

Como não era mulher de se deixar abater por bobagens como essa, a futura noiva ligou para Tânia, sua melhor amiga e rainha das mandingas. Um pouco embaraçada, revelou suas angústias e pediu uma solução rápida, prática e simples, que não precisasse de mundos ou fundos para dar certo. Selma queria ser a mulher mais sensual que Ricarso já pusera os olhos. Queria fazer daquela, a primeira das infindáveis noites de prazer que teriam juntos, por todo o resto de suas vidas.

Na véspera do casório, seguindo as instruções rascunhadas numa caixa engordurada de comida chinesa, Selma preparou a poção afrodisíaca. Segundo sua amiga, o sumo de uma bergamota madura deveria ser misturado a duas cabeças de alho, socadas em açúcar mascavo, para então dormir sob o sereno e a luz da lua, numa cumbuca branca de porcelana. Nada tão pavoroso, quanto enterrar uma garrafada com filhotes de rato albino para curar calvície.

Chegado o grande dia, a noiva acordou antes dos galos e recolheu o caldo mágico, que foi reservado então numa pequena garrafa de aço inoxidável, escondida no fundo de sua mala. Depois de almoçar pela última vez como solteira, Selma seguiu para o hotel, onde teria uma tarde inteira de relaxamento, banhos com florais e toda a produção que requer um evento como aquele. Ao cair da noite, estava deslumbrante, com um brilho no olhar que chegava a cintilar mais que as estrelas.

A cerimônia correu como o esperado, e a festa foi um desbunde. Todos se fartaram de tanto beber e comemorar, e o casal sorria como se não houvesse fome na África e nem gente aleijada pelo mundo. Sem dar muita bandeira, fugiram escondidos pelo jardim, rumo a tão sonhada lua de mel. Como o vôo só iria partir ao amanhecer, seguiram para um luxuoso flat emprestado pelo chefe de Ricardo. Selma, já ansiosa com o que estava por vir, aproveitou uma distração do marido para beber o sumo do amor.

Estavam, enfim, a sós. Pela primeira vez, depois de tantos anos, entregaram-se ao prazer das próprias carnes, que não de num rodízio esfumaçado. Beijaram-se, despiram-se e quase perderam os sentidos de tanta aflição. Selma começou a sentir algo crescendo dentro de si, e ainda não era a virilidade de Ricardo. Um fogo ardia entre suas pernas. Estava se sentindo, pela primeira vez, como uma fêmea no cio. Tamanho era seu tesão, não sabia se aquilo era um orgasmo, ou combustão espontânea. Explodiam bombas dentro de seu corpo, ininterruptamente.

Amedrontada, a moça correu para o banheiro, onde não conseguia mais parar de mijar. Talvez, se tivesse seguido rigorosamente as instruções de beber somente um gole daquele licor, não estaria sofrendo com aqueles fortíssimos espasmos vaginais. Sem saber o que fazer, ela pediu para que o marido a deixasse a sós, pois não queria deixa-lo ver seu sofrimento. Como ela não conseguia descolar o traseiro da privada e urrava de dor, Ricardo reagiu por instinto. Com um balde cheio de gelo, tentou refrescar sua esposa, mas a cena que vi a seguir foi por demais grotesca.

Como uma boneca de cera, Selma começou a dissolver na frente do marido. Seus olhos saltaram das órbitas, enquanto a pele escorria para o chão, totalmente liquefeita. Sua agonia era tanta, que aos poucos ela foi perdendo os sentidos, esvaindo-se para dentro do ralo. Em poucos segundos, seus gritos já não eram mais ouvidos, e Ricardo assistia atônito àquele show de horrores. Já não estava mais nada de Selma, a não ser uma gosma pulsante e disforme. O viúvo, em choque, puxou a descarga e ligou a tv. Nunca imaginou que seria tão amaldiçoado por ter se permitido aliviar a pressão nos braços de Tânia, na véspera do casório…

Bonus track: David Bowie & Annie Lenox “Under Pressure”